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18 março 2009

I Guerra Mundial - 90º Aniversário - Documentários






Encontrei no site do Museu Imperial da Guerra (Londres) aquando outras pesquisas sobre a Primeira Guerra Mundial um silencioso Documentário. Sem eu o saber, são considerados os mais famosos "filmes" que retratam a Grande Guerra. São 4 filmes que ai se encontram sobre batalhas e acontecimentos da Grande Guerra.

Eles são:




A Batalha do Somme


Retrata os primeiros dias da Batalha do Somme e quase metade da população Britânica viu o filme. Foi criado como uma ferramenta de propaganda para o resto da guerra pelos britânicos.
O filme é um registo único dos eventos em torno da abertura da Batalha do Somme, e continua a ser uma fonte fundamental para os historiadores.

Os links que estão referidos na imagem a baixo mostram as forças britânicas no primeiro dia da ofensiva do Somme, 1 de Julho de 1916 e seguintes vídeos.

Pode ser consultado em :

(clicar nas imagens)





Com as forças na Mesopotâmia


O primeiro filme mostra forças indianas em Bagdade (Iraque), durante e após a batalha de Ramadi, 28 - 29 Setembro 1917. A batalha, lutaram sobre intenso calor, resultou na captura de forças turcas pelos britânicos no reduto de Ramadi.

O segundo inclui um filme indiano de um batalhão de Infantaria marchando para 'New Street' em Bagdade, e uma ponte de barcos construídos pelo Royal Engineers sobre o rio Tigre para substituir a destruída pelos turcos.






Stand By The Men


Este filme foi feito por volta de 1917 para encorajar o público britânico para comprar "National War Savings Certificates". Ele usa uma mistura de desenhos animados, mas também com algumas cenas de filmagens genuínas - como uma cena de refugiados da Bélgica em 1914.

Guerra Bonds foram emitidos a partir de Julho de 1915 para ajudar a financiar a guerra, que estava a custar á Inglaterra 1 milhão de £ por dia.




Tanques - A Arma Maravilhosa


Estes filmes mostram a utilização do recém-inventado tanque Mark IV.
Os primeiros tanques foram introduzidos em 1915, mas muitas vezes avariavam. O Mark IV era a versão mais confiável e segura para a tripulação. Ele provou o seu grande valor na batalha em Cambrai, em Novembro de 1917, onde 476 tanques foram usados, conseguindo muitos quebrar as trincheiras alemãs.



O Segredo

Esta é uma curta peça "Filme tags', feita pelo Ministério da Informação para mostrar no cinema. Este filme britânico, feito em 1918, mostra como usar batata ralada como substituto para sebo na cozinha.
O público britânico não sofreu as mesmas carências, como, por exemplo, a Alemanha, onde muitos milhares morreram á fome. No entanto, a Grã-Bretanha fez enfrentar o aumento dos preços e da escassez de determinados bens, a carne, manteiga e chá eram racionados partir da Primavera de 1918.


Em:


13 março 2009

Florence Farmborough - "Relatos"


Florence Farmborough (Britânica) era professora em Moscovo em 1914. Com o inicio da guerra, voluntariou-se na Cruz-Vermelha Russa, onde teve formação, e foi enviada para a linha da frente.
Na "qualidade" da sua tão nobre profissão, onde "serviu" na Polónia, Áustria e Roménia, presenciou o caos da retirada do Exercito Russo. Esta terrível retirada entre outras passagens ficou registada no seu Diário.
Florence Farmborough deixou a Rússia logo após a revolução Bolchevique de 1917.

Imagem retirada do Museu Imperial da Guerra (UK).




Relatos do Diário de Florence Farmborough:

«Uma enfermeira britânica, Florence Farmborough, que estava a servir numa unidade medica com as forças russas, foi testemunha do sofrimento dos russos. Ao chegarem a um mosteiro na aldeia de Molodicz, os médicos e enfermeiras em retirada organizaram uma sala de cirurgia de emergência.«Tentar saber como e quando tinham sido infligidas as feridas era impossível; no meio de tal vaga de sofrimento, cuja gravidade era perfeitamente visível e audível, mais não podíamos fazer do que cerrar os dentes e trabalhar.» Uma dúzia de ambulâncias transportava os homens feridos com menos gravidade para a retaguarda. Mas por mais que se transportassem mais eram trazidos. As feridas que ela presenciou eram tais « que faziam o nosso coração bater com o espanto de ver como um homem podia ter um corpo tão mutilado e continuar a viver, a falar, a compreender». Um homem para que ela se voltou tinha a perna esquerda e o lado inundados de sangue. « Puxei a roupa para o lado e vi uma massa polposa, um corpo esmagado das costelas para baixo; o estômago e o abdómen estavam totalmente esmagados e a perna esquerda pendia do corpo presa por apenas alguns pedaços de carne». Um padre, que passava por ali naquele momento, fechou os olhos, horrorizado, e voltou as costas. «Os olhos vazios do soldado continuavam a olhar para mim e os seus lábios moveram-se, mas não saiu qualquer palavra. O que me custou afastar-me sem o poder ajudar, não consigo descrever, mas não podíamos desperdiçar tempo e material com casos perdidos, e havia muitos mais á espera.»
Dois dias depois, Florence Farmborough ficou totalmente atormentada quando foram recebidas ordens para recuar ainda mais, e para abandonar os feridos mais graves. «Os que ainda conseguiam andar ergueram-se e seguiram-nos; a correr, a mancar, a coxear, ao nosso lado. Os gravemente aleijados arrastavam-se atrás de nos; pediam, imploravam que não os abandonássemos em tal situação. E na estrada havia mais, muitos mais; alguns, jaziam na poeira do caminho, exaustos. Também eles imploravam. Agarravam-se a nós; imploravam-nos que ficássemos junto deles. Tínhamos de rasgar as saias, de tal modo eles as agarravam. Depois os seus lamentos começaram a ser entrecortados por insultos; e muito atrás deles, podíamos ouvir os repetidos insultos dos nossos irmãos que tínhamos abandonado ao seu destino. A escuridão acentuou o pânico e a desgraça. Com um acompanhamento do ruído dos projecteis que explodiam, e dos insultos e pedidos dos homens feridos, á nossa volta e atrás de nos, entramos rapidamente na noite»».



"Relatos" da Primeira Grande Guerra


«Na Frente Ocidental, as condições da guerra em finais de 1915 eram aterrorizadoras(...)»
«Durante o mês de Novembro a chuva foi tão intensa que muitas trincheiras tinham água até aos joelhos e por vezes até á cintura(...)»

È sobre estas condições que quero relatar o seguinte acontecimento:

« Houve um episódio nesse [mesmo] Inverno que foi falado em toda a Frente Ocidental. Por sobre um parapeito alemão narrou Gibbs [correspondente na linha da frente], «apareceu um cartaz onde se lia, em grandes letras: "Os Ingleses são idiotas". Não somos tão idiotas quanto isso", disse um sargento, e pouco depois o cartaz foi feito em pedaços com fogo de espingardas. Apareceu outro cartaz, que dizia: "Os franceses são idiotas". A lealdade para com os nossos Aliados causou a destruição desse cartaz.
Surgiu um terceiro cartaz: "Somos todos idiotas. Vamos mas é para casa."
Também esse cartaz foi destruído, mas a mensagem causou alguns sorrisos, e os homens diziam: "Há muito de verdade naquelas palavras. Por que é que isto há-de continuar? É por causa de quê? Os velhos que começaram esta guerra que venham lutar entre eles em Hooge. Os homens que estão a lutar não têm nenhuma questão seria entre eles. Queremos todos ir para casa, para as nossas mulheres, para o nosso trabalho". Mas nenhum dos lados tava preparado para ser o primeiro a "ir para casa". Ambos os lados tinham caído numa armadilha - uma armadilha infernal, da qual não havia escapatória.»»
First World War, Martin Gilbert

03 março 2009

Portugal na Grande Guerra - Corpo Expedicionário Português (CEP) - Parte VI

Para saber mais sobre a Grande Guerra



«Quando passam 90 anos sobre o Tratado de Versalhes, que traçou as fronteiras e definiu as relações internacionais depois da Primeira Guerra Mundial, este quarto número da VISÃO História é dedicado àquele que terá sido o mais dramaticamente absurdo de todos os conflitos bélicos, com especial incidência na participação que Portugal teve nele».













«A 11 de Novembro é assinado o armistício que põe fim à Primeira Guerra Mundial. Nove milhões de soldados morreram, quatro grandes impérios foram destruídos e o panorama geopolítico da Europa e do Médio Oriente alterou-se para sempre. O historiador Martin Gilbert conta-nos, através de uma narrativa empolgante, a história deste terrível conflito. Os horrores das batalhas, o confronto por mar e ar e as experiências vividas nas trincheiras e nas frentes de combate pelos soldados das diferentes nações beligerantes. Sete mil portugueses perderam a vida na Grande Guerra. Colocados na Frente Ocidental, na Flandres, França, o Corpo Expedicionário Português participou na decisiva batalha de La Lys. Esta foi uma guerra extremamente mortífera, facto que se deveu (...) às novas tecnologias militares que se desenvolveram. Novos tanques, aviões que pela primeira vez foram usados com fins militares, tornando os bombardeamentos aéreos uma nova realidade, metralhadoras cada vez mais rápidas e potentes, novos navios de combate e a novidade da guerra química (...). Com um conjunto de mapas e imagens da época, este é um livro fundamental para compreender a história e os conflitos do nosso tempo. MARTIN GILBERT é o biógrafo oficial de Winston Churchill e um dos mais importantes historiadores ingleses».


«De noite é que é o inferno. […] os telefones retinem, os estafetas põem-se a andar e o S.O.S. sobe ao céu, no vinco luminoso dos very-lights […] até que se apagam e o mundo é apenas escuridão. […] Ouve-se o crac-crac das metralhadoras que o boche despeja e que nós despejamos. E transida, bafejando as mãos, sem sono, a gente escuta o ecos e o nosso coração doente como um velho relógio tonto oscilando entre a saudade dos que estão longe e a ideia de morrer ali, armado e equipado, sonolento e triste, com um cão sem forças.»

Albino Forjaz Sampaio, oficial português na Flandres.












Portugal na Grande Guerra - Corpo Expedicionário Português (CEP) - Parte V

A Guerra Para acabar com todas as Guerras



«A guerra europeia (com ramificações para as colónias) que, no Verão de 1914, eclodiu entre os Aliados e os Impérios Centrais foi de inicio saudada como o derradeiro dos conflitos, destinado a configurar o mundo do futuro. Julgava-se tambem que terminaria antes do Natal.
Puras ilusoes. A "galante" guerra do movimento herdada do passado em breve se transformaria numa hecatombe de desgaste que só terminaria em 1918. Se as novas fronteiras europeias da decada de 20, saidas da contenda, estavam mais de acordo com as realidades nacionais, esse reajustamento do mapa custara cerca de 20 milhoes de vidas. E tudo passaria de uma transitoria ilusao: em 1939, os canhoes voltariam a rugir num continente suicida, abrindo o passo ás superpotencias emergentes - EUA e URSS.» Visão História nº4




mapa da Europa antes da Grande Guerra

mapa da Europa depois da Grande Guerra


Algumas Frases sobre a Grande Guerra:


The First World War killed fewer victims than the Second World War, destroyed fewer buildings, and uprooted millions instead of tens of millions - but in many ways it left even deeper scars both on the mind and on the map of Europe. The old world never recovered from the shock.

* Edmond Taylor, in The Fossil Monarchies


What passing-bells for these who die as cattle?
Only the monstrous anger of the guns.

* Wilfred Owen, from Anthem for Doomed Youth


The lamps are going out all over Europe; we shall not see them lit again in our lifetime.

* Sir Edward Grey, British Foreign Secretary, at the beginning of the war.



Yesterday I visited the battlefield of last year. The place was scarcely recognisable. Instead of a wilderness of ground torn up by shell, the ground was a garden of wild flowers and tall grasses. Most remarkable of all was the appearance of many thousands of white butterflies which fluttered around. It was as if the souls of the dead soldiers had come to haunt the spot where so many fell. It was eerie to see them. And the silence! It was so still that I could almost hear the beat of the butterflies' wings.

* A British officer, 1919.



In Flanders fields the poppies blow
Between the crosses, row on row,
That mark our place; and in the sky
The larks, still bravely singing, fly
Scarce heard amid the guns below.

* Canadian lieutenant colonel John McCrae, from the poem “In Flanders Fields”

em Wikiquote.org

02 março 2009

Portugal na Grande Guerra - Corpo Expedicionário Português (CEP) - Parte IV

Os "Soldados Conhecidos" da Grande Guerra


Diz-nos a já referida Visão História «que entre os soldados desconhecidos que integravam a malta das trincheiras figuraram escritores, pensadores, intervenientes políticos. Recordemos alguns deles» :

«Augusto Casimiro dos Santos, que frequentou estudos universitários em Coimbra e o curso de Infantaria da Escola do Exército. Poeta e cronista, rapidamente ao ideais republicanos da Revolução de 1910.

André Brun, capitão de infantaria, escritor e professor auxiliar no Colégio Militar, embarcou no dia 18 no comboio que o levou até á Flandres.

D. José Do Patrocínio, foi um dos perto de 20 capelães militares que se ofereceram, no âmbito da comissão de Assistência Religiosa em Campanha. Em Dezembro de 1917 foi nomeado capelão-chefe, cargo que ocupou até ao final da guerra. Pouco mais tarde foi nomeado Bispo de Beja, onde ficou conhecido devido á sua participação na guerra como «Bispo-Soldado».

Hernâni Cidade, professor de Literatura Portuguesa no Liceu de Leiria parte de Lisboa no dia 17 de Abril de 1917 para frente na Flandres onde resgata da "terra de ninguém" vários portugueses feridos. Prisioneiro de Guerra, estuda o alemão e regressa a Portugal em Fevereiro onde ingressa como professor na Faculdade de Letras do Porto.

Jaime Cortesão, republicano convicto e eleito deputado em 1915 oferece-se como voluntário e publica em 1919 Memórias da Grande Guerra (1916-1919).

João Pina de Morais, ingressa na carreira militar em 1907 e em 22 de Abril 1917 embarca para a Flandres. Sofre os efeitos dos gases, continuando em combate sem receber tratamento médico. João Pina de Morais é autor da legenda do túmulo do Soldado Desconhecido no Mosteiro da Batalha : «Portugal eterno nos mares, nos Continentes e nas Raças, ao seu Soldado Desconhecido morto pela Pátria. Grande Guerra, 1914-1918»».


Estes são alguns soldados portugueses que até ao inicio da guerra eram já "conhecidos", mas há no entanto uma história curiosa de um soldado até então desconhecido entre os portugueses: "o soldado Milhões".
Existem no vasto mundo da Internet vários sítios que têm informações sobre sobre a possível historia de Aníbal Augusto Milhais, e a revista acima referida também nos descreve a história deste nosso valente soldado.

«Tudo acontece no dia 9 de Abril de 1918, durante a batalha dita de La Lys, ele ficou para trás aquando a retirada do seu batalhão (desobedecendo á ordem de retirar) e cobriu então a retirada dos seus camaradas portugueses e escoceses. Salvou assim a vida a muita gente, arriscando a sua própria. Mas também ele escapou sem um arranhão para contar a História. Foi aclamado herói nacional tendo sido homenageado com a mais alta condecoração do País: a Ordem de Torre Espada do Valor, Lealdade e Mérito».
«O louvor não menciona o frio, a fome, nem o terror. Mais se conta que poucas horas depois do ataque alemão sobre as forças portuguesas, as tropas alemães começaram a conquistar as posições portuguesas na primeira linha, e foi ai que a 2ª divisão de Infantaria acorreu para cobrir a retirada dessas tropas da frente. Numa dessas unidades da 2ª divisão servia o metralhador Aníbal Augusto Milhais.

A partir de dia 9 conta-se também a seguinte história: Augusto Milhais andou então perdido na planície devastada e alagada da Flandres. Escondeu-se nas ruínas, nos drenos cheios de agua ou nas carcaças dos cavalos, para evitar as tropas alemães. Mas, quando se proporcionava, procurava a melhor mascara para embosca-las e varre-las a leque. Foi assim, escondido que salvou um grupo de escoceses de serem capturados, disparando sobre os alemães que os perseguiam. Andou nisto de 9 a 13 de Abril, e no ultimo dia, salva de se afogar nas águas do Lys um major escoceses que fora feito prisioneiro mas que conseguira escapar.
O seu comandante de Batalhão, o então major João Maria Ferreira do Amaral, chamou-o para junto dos oficiais, cumprimentou-o e ouviu a sua versão dos acontecimentos, que coincidia com a dos escoceses. E reza a lenda, ter-lhe-á dito: «Chamas-te Milhais, mas vales Milhões», foi então que a alcunha pegou.»


Conta-nos também Martin Gilbert no seu livro a seguinte passagem relativamente a um soldado Francês até então desconhecido: «Nos campos de batalha da Europa, a luta era contínua e acesa. A 13 de Agosto, tropas francesas foram apanhadas por fogo cerrado da artilharia alemã perto de Dinant, tendo os seus movimentos sido detectados por um avião alemão de reconhecimento. Tendo recebido ordens para evitar o avanço da infantaria alemã por uma ponte, o comandante de um pelotão francês colocou os seus homens directamente sobre fogo. Ao chegar á ponte, foi ferido num joelho e caiu. Pouco depois, o sargento do pelotão caiu por cima dele, morto. O tenente recordou mais tarde "o ruído das balas a entrar nos corpos de mortos e feridos, que havia por todo lado". Com dificuldades arrastou-se para longe. Foi o baptismo de fogo de Charles de Gaulle. Foi transportado para um hospital em Paris, longe da acção, mas desejoso de regressar á frente.»

Outros soldados de outras nações em conflito, cujas vidas foram moldadas pela guerra combatiam com a mesma ferocidade e coragem dos soldados acima descritos. Pessoas que o mundo ainda não conhecia, entre as quais: Ernest Hemingway, Bertolt Brecht, Vera Mary Brittain, Josef Tito, Benito Mussolini, David Ben-Gurion, Mustafa Kemal e um dos mais insignificantes de todos até então...Adolf Hitler.

Portugal na Grande Guerra - Corpo Expedicionário Português (CEP) - Parte III

O CEP em Imagens


trincheiras La Lys

prisioneiros ingleses e portugueses - 1918

soldado do CEP com equipamento completo

dois irmãos de armas, um soldado inglês e um português

Embarque do Corpo Expedicionário Português para a Flanders, Cais de Santa Apolónia, 1917. Joshua Benoliel.

momentos de descanso

trincheira

Cruz da campa do soldado Manuel da Silva, morto em combate no dia 9 de Abril de 1918 (Batalha do Lys) com a inscrição em alemão onde se lê: "Hier ruht ein tapferer Portuguiese" - Aqui jaz um valente Português.


cantil

descanso na retaguarda

"ilustração portugueza"

"ilustração portugueza" nº 577

cep

dois soldados

enfermeiras da cruz-vermelha, hospital de ambleteuse
vários combatentes

uma condecoração

soldado português

"ilustração portugueza"

varias fotos do "ilustração portugueza"

soldado português

enfermeiro

capacete

mapa das trincheiras
visita ás trincheiras
batarias a caminho das linhas
reparação dos fios telefónicos
um dia calmo nas batarias
pessoal de drenagem

Portugal na Grande Guerra - Corpo Expedicionário Português (CEP) - Parte I

Introdução


Estas postagens sobre a participação de Portugal na Grande Guerra surgem pela motivação de quatro elementos fundamentais: a publicação do nº 4 da Visão História "Portugal nas Trincheiras", a visita a Bruxelas do Museu Real das Forças Armadas e da História Militar, a visualização do Documentário "The First World War" e a leitura inacabada do Livro de Martin Gilbert "First World War".

Assim a pouco e pouco a minha curiosidade aumentou sobre esta nossa parte da História, e quero assim aqui concentrar algumas passagens e acontecimentos relativos a esta faceta da nossa grandiosa História.

Não quero nestes post´s contar a História em termos gerais da Grande Guerra, porque essa encontra-se já em muitas enciclopédias on-line e em muitas outras partes da Internet. Quero sim, salientar alguns aspectos e curiosididades que envolveram tanto os Portugueses como as outras nações.


Pequena Cronologia

Ano de 1916

9 de Março - Declaração de guerra do Império Alemão a Portugal.
15 de Junho - A Inglaterra convida Portugal a participar activamente no conflito.
22 de Julho - É constituído o CEP.
7 de Agosto - O Parlamento Português aprova a participação de Portugal no conflito armado.

Ano de 1917

30 de Janeiro - Sai de Lisboa a 1ª Brigada do CEP ás ordens do general Gomes da Costa.
2 de Fevereiro - Chegam ao porto de Brest as primeiras tropas portuguesas.
23 de Fevereiro - Parte para França o 2º Contingente do CEP.
4 de Abril - As primeiras Tropas Portuguesas entram nas Trincheiras, onde é morto o primeiro soldado Português em Combate.
30 de Maio - O CEP ocupa um sector na Frente da Batalha.


Ano de 1918

27 de Março - O CEP deveria ter começado a ser rendido. A ofensiva alemã no Somme impede a rendição.
9 de Abril - A Batalha de La Lys começa. A 2ª divisão do CEP é destruída no decurso da mesma.
13 de Abril - O CEP retira para linhas mais recuadas.
11 de Novembro - O armistício proposto pelos Aliados é aceite pela Alemanha.
9 de Dezembro - Parte de Cherburgo, as primeiras tropas Portuguesas do CEP com destino a Portugal.

Portugal na Grande Guerra - Corpo Expedicionário Português (CEP) - Parte II

Declaração de Guerra do Império Alemão a Portugal

Tradução do texto alemão entregue por Friedrich Von Rosen a Augusto Soares, Ministro Português dos Negócios Estrangeiros.

«Senhor Ministro.

Estou encarregado pelo meu alto Governo de fazer a V. Exa. a declaração seguinte:

O Governo português apoiou, desde o começo da guerra os inimigos do império Alemão por actos contrários á neutralidade. Em quatro casos foi permitida a passagem de tropas inglesas por Moçambique. Foi proibido abastecer de carvão os navios alemães. Aos navios de guerra ingleses foi permitida uma larga permanência em portos portugueses, contrária à neutralidade, bem como ainda foi consentido que a Inglaterra utilizasse a Madeira como base naval. Canhões e material de guerra de diferentes espécies foram vendidos ás Potências da Entente, e, além disso, á Inglaterra um destruidor de torpedeiros. O arquivo do vice-consulado imperial em Modeles foi apreendido.

Além disso, foram enviadas expedições á África, e foi dito então abertamente que estas eram dirigidas contra a Alemanha.

O governador alemão do distrito Dr. Schultz-Jena, bem corno dois oficiais e algumas praças, em 19 de Outubro de 1914, na fronteira do Sudoeste Africano alemão e Angola. Foram atraídos, por meio de convite, a Naulila, e ali declarados presos sem motivo justificado, e, como procurassem subtrair-se à prisão, foram, em parte, mortos a tiro enquanto os sobreviventes foram à força feitos prisioneiros.

Seguiram-se medidas de retorção da tropa colonial. A tropa colonial, isolada da Alemanha, precedeu na suposição, originada pelo acto português, de que Portugal se achava em estado de guerra com o Império Alemão. O Governo português fez representações por motivo das últimas ocorrências, sem, todavia, se referir ás primeiras. Nem sequer respondeu ao pedido que apresentámos de ser intermediário numa livre troca de telegramas em cifra com os nossos funcionários coloniais, para esclarecimento do estado da questão.

A imprensa e o Parlamento, durante todo o decurso da guerra, entregaram-se a grosseiras ofensas ao povo alemão, com a complacência, mais ou menos notória, do Governo português. O chefe de Partido dos Evolucionistas pronunciou na sessão do Congresso, de 23 de Novembro de 1914, na presença dos ministros portugueses, assim como na de diplomatas estrangeiros, graves insultos contra o imperador da Alemanha, sem que por parte do presidente da Câmara, ou dalgum dos ministros presentes, se seguisse um protesto. Às suas representações, o enviado imperial recebeu apenas a resposta que no boletim oficial das sessões não se encontrava a passagem em questão.

Contra estas ocorrências protestámos em cada um dos casos em especial, assim como por várias vezes apresentamos as mais sérias representações e tornámos o Governo português responsável por todas as consequências. Não se deu, porém, nenhum remédio. Contudo, o Governo Imperial, considerando com longanimidade a difícil situação de Portugal, evitou então tirar mais sérias consequências da atitude do Governo português.

Por último, a 23 de Fevereiro de 1916, fundada num decreto do mesmo dia, sem que antes tivesse havido negociações, seguiu-se a apreensão dos navios alemães. Sendo estes ocupados militarmente e as tripulações mandadas sair de bordo. Contra esta flagrante violação de direito protestou o Governo Imperial e pediu que fosse levantada a apreensão dos navios.

O Governo português não atendeu este pedido e procurou fundamentar o seu acto violento em considerações jurídicas. Delas tira a conclusão que os nossos navios imobilizados por motivo da guerra nos portos portugueses, em consequência desta imobilização, não estão sujeitos ao artigo 2.º do tratado de comércio e navegação luso-alemão, mas sim à ilimitada soberania de Portugal, e, portanto, ao ilimitado direito de apropriação do Governo português, da mesma forma que qualquer outra propriedade existente no pais. Além disso, opina o Governo português ter procedido adentro dos limites desse artigo, visto a requisição dos navios corresponder a uma urgente necessidade económica, e também no decreto de apropriação estar prevista uma indemnização cujo total deveria mais tarda ser fixado.

Estas considerações aparecem como vazios subterfúgios. O artigo 2.º do tratado do comércio e navegação refere-se a qualquer requisição de propriedade alemã em território português. Pode ainda assim haver dúvidas sobre se a circunstância de os navios alemães se encontrarem pretensamente imobilizados em portos portugueses modificou a sua situação de direito. O Governo português violou, porém, o citado artigo em dois sentidos, primeiramente não se mantém na requisição dentro dos limites traçados no tratado, pois que o artigo 2.º pressupõe a satisfação duma necessidade do Estado, enquanto que a apreensão, como é notório, estendeu-se a um número de navios alemães em desproporção com o que era necessário a Portugal para suprir a falta de tonelagem. Mas, além disso, o mencionado artigo torna a apreensão dos navios dependente dum prévio acordo com os interessados sobre a indemnização a conceder-lhes. Enquanto que o Governo português nem sequer fez a tentativa de se entender, quer directamente, quer por intermédio do Governo alemão, com as companhias de navegação. Desta forma apresenta-se todo o procedimento do Governo português como uma grave violação do Direito e do Tratado.

Por este procedimento o Governo português deu a conhecer que se considera como vassalo da Inglaterra, que subordina todas as outras considerações aos interesses e desejos ingleses. Finalmente a apreensão dos navios realizou-se sob formas em que deve ver-se uma intencional provocação à Alemanha. A bandeira alemã foi arriada dos navios alemães e em seu lugar foi posta a bandeira portuguesa com a flâmula de guerra. O navio almirante salvou por esta ocasião.

O Governo Imperial vê-se forçado a tirar as necessárias consequências do procedimento do Governo português. Considera-se de agora em diante como achando-se em estado de guerra com o Governo português.

Ao levar o que precede, segundo me foi determinado, ao conhecimento de V. Exa. tenho a honra de exprimir a V. Exa. a minha distinta consideração.»