27 março 2009

Outeiro dos Riscos


Este tema não se "insere" na nossa História Contemporânea, mas por estar situado na minha Freguesia e eu o já ter visitado mais do que uma vez, abre-se então uma excepção.

Nota Introdutória do Museu Municipal de Vale de Cambra

«Monólito de granito de tamanho apreciável, localizado no lugar de Gatão, freguesia de Cepelos, que forma um pequeno cabeço na periferia de uma pequena chã, e no início de uma encosta voltada a Noroeste. As gravuras, datáveis do Neolítico/Calcolítico, situam-se na face voltada ao talvegue, em posição quase vertical. Resumem-se quase que a motivos circulares nos quais predominam os círculos concêntricos de grandes dimensões, existindo ainda alguns círculos preenchidos com cruciformes.»

Nota Histórico-Artistica (IPPA)

«As lendas e tradições locais atribuíram ao longo dos tempos os vestígios constituintes da estação arqueológica do "Outeiro dos Riscos" (ou "Cabeço do Outeiro dos Ricos", como é também conhecida localmente), situada a nascente da freguesia de Cepelos, nas imediações dos Castelos, à presença romana nesta região do actual território português, certamente pelos vários exemplares romanos aí existentes, a exemplo da calçada romana.
Não obstante, estamos perante uma realidade bastante anterior, da qual a região se revela assaz profícua, mau grado o desaparecimento de vários exemplares de tempos mais recuados na sequência dos cíclicos trabalhos agrícolas e da reutilização, total ou parcial, de estruturas antigas sobre as quais se perdera, há muito, a memória do seu significado e fruição, como seriam as megalíticas, das quais ainda são visíveis alguns elementos, designadamente dólmens.
O sítio em questão é constituído por dois afloramentos graníticos, e terá obtido a designação de "Riscos" muito provavelmente pelos traços e riscos abertos nas respectivas faces, ao que tudo indica entre o Neo-calcolítico e a Idade do Bronze da zona, ainda que "A característica geométrico-simbólica e abstracta deste grupo também não facilita a sua integração cronológico-cultural [...]." (BAPTISTA, A. M., 1986, p. 48).

O primeiro destes elementos constituintes é formado por um bloco de grandes dimensões que perfaz um cabeço no contorno de uma pequena chã. Aqui, as gravuras foram distribuídas ao longo da face voltada para a campina, em posição quase vertical, sendo compostas de motivos quase exclusivamente circulares, com relevo para os concêntricos (de tamanho assinalável), alguns dos quais preenchidos com cruciformes, eventualmente obtidos com um percutor de pedra, uma vez que o bronze não será tão eficaz na abertura do granito.
Quanto à segunda componente deste arqueossítio - uma pequena rocha de superfície irregular -, ela ostenta uma gravura formada por um motivo linear encimado por espiral, assim como um elemento reticulado associado a quatro quadrados.

Estilisticamente incluídas no "Grupo I" dos "Petróglifos Galaico-Portugueses", referente à presença, conquanto esporádica (como no caso da Beira Alta), de motivos "galego-atlânticos", as gravuras do "Outeiro dos Riscos" parecem tipificá-lo pelo modo como foram distribuídas, nomeadamente no que à sua aparente verticalidade se refere, "[...] o que confere uma sensação de relevo aos motivos gravados quando banhados pela luz rasante do sol-nascente." (Id., Ibid., p. 47).

Quanto ao significado das gravuras presentes no "Outeiro", poderá remeter para um significado simbólico-religioso, "[...] se se atender à grande profusão e expansão dos motivos geométrico-simbólicos [...].»(BAPTISTA, A. M., 1986, p. 48).
[AMartins]
em Instituto Português do Património Arquitectónico



A Lenda do Outeiros dos Riscos


(no lugar de Gatão, freguesia de Cepelos, concelho de Vale de Cambra), onde se encontra um penedo com círculos concêntricos datados do final da Idade do Bronze.

Lenda curiosa sobre o Outeiro em:

http://ocaco.podomatic.com/player/web/2006-08-12T09_35_35-07_00

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Barragem Engº Duarte Pacheco



Construída no rio Caima, no lugar do Castelo entre 1936/42, a barragem do Castelo designada oficialmente Barragem Engenheiro Duarte Pacheco, em homenagem ao seu projectista.

É uma obra do Estado Novo, que tinha como finalidade aumentar a rentabilidade agrícola dos campos de Burgães e intensificar a indústria de lacticínios através da criação de prados permanentes.

A barragem, é constituída por uma albufeira que permite o armazenamento de 330 mil m3 de água de rega a utilizar no tempo da estiagem e por um dique de alvenaria com 24 metros de altura para queda livre das águas, bem como um dique misto de suporte ás águas da albufeira. A barragem e os canais custaram quatro mil e trinta contos suportados pelo estado, estando previsto o seu reembolso no período de 50 anos.

Para comemorar a edificação desta obra, bem como em memória do seu projectista foi colocado no enrocamento lateral da barragem um padrão de granito polido formado por um fuste de coluna.



Fonte: Junta de Freguesia de Rôge


UTILIZAÇÕES - Rega


LOCALIZAÇÃO

Distrito - Aveiro
Concelho - Vale de Cambra
Local - Castêlo
Bacia Hidrográfica - Vouga
Linha de Água - Rio Caima

CARACTERÍSTICAS HIDROLÓGICAS

Área da Bacia Hidrográfica - 38,5 km2

CARACTERÍSTICAS DA BARRAGEM

Alvenaria - Alvenaria
Altura acima da fundação - 28 m
Altura acima do terreno natural - 20 m
Cota do coroamento - 108 m
Comprimento do coroamento - 66 m
Largura do coroamento - 1 m
Fundação - Granito
Volume de alvenaria - 4 x 1000 m

DESCARGA DE FUNDO

Localização - Talvegue
Tipo - Através da barragem
Secção da conduta - d 1,0 m
Caudal máximo - 11 m3/s
Controlo a montante - Válvula adufa
Dissipação de energia - Inexistente

DADOS GERAIS

Promotor - Associação de Beneficiários de Burgães
Dono de Obra (RSB) - Associação de Beneficiários de Burgães
Projectista - JAOHA
Construtor - José Luís Fevereiro
Ano de Projecto - 1936
Ano de Conclusão - 1942

CARACTERÍSTICAS DA ALBUFEIRA

Área inundada ao NPA - 50 x 1000m2
Capacidade total - 408 x 1000m3
Capacidade útil - 330 x 1000m3
Volume morto - 78 x 1000m3
Nível de pleno armazenamento (NPA) - 108 m
Nível de máxima cheia (NMC) - 110 m

DESCARREGADOR DE CHEIAS

Localização - No corpo da barragem
Tipo de controlo - Sem controlo
Tipo de descarregador - Sobre a barragem
Cota da crista da soleira - 108 m
Desenvolvimento da soleira - 43,5 + 12,6 + 20,5 m
Caudal máximo descarregado - 312 m3/s
Dissipação de energia - Inexistente


Fonte: Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional, Comissão Nacional Portuguesa das Grandes Barragens (CNPGB)







24 março 2009

"O Ninho da Águia"



A tradução do Alemão mais não é do que "Casa sobre a Montanha" ou "Casa da Montanha".
O Embaixador Francês, André François Poncet, ao que parece foi o inventor do primeiro nome, acabando o mesmo por cair nas graças do Aliados a partir de 1938.
A "casa de chá de Hitler" também é outro dos "apelidos" que a casa poderá ter tido, mas este não é muito válido, visto Hitler não a ter usado para tomar chá e até nem a visitava muito regularmente, usava-a a mais para a mostrar ao visitantes mais ilustres convidados do IIIReich, ou seja, provavelmente não a visitou mais de vinte vezes, sendo Eva Braun e o próprio Martin Borman os mais constantes hospedes.
O nome em alemão é Kehlsteinhaus e foi mandada construir por Martin Bormann (destacado membro do III Reich) para o 50º aniversário do seu Führer sobre o esporão rochoso do Hoher Goll no topo da montanha de Kehlstein (a 1834 metros de altitude) nos Alpes alemãos perto da cidade de Berchtesgaden e de lá segundo se consta, a vista é fabulosa.
O acesso á casa era (é) feito por uma estrada que serpenteava a montanha ao longo de uns fantásticos 6.5 Km's onde os últimos 107 metros eram feitos num luxuoso elevador que seguia num túnel através da montanha.
A casa é também conhecida pelos seus luxos, raros vinhos, obras de arte, passando por uma magnifica sala de recepção que é dominada por uma lareira de mármore vermelho italiano, presenteada por Benito Mussolini. Grande parte do mobiliário foi projectado por Paul Laszlo.

No decurso da guerra, embora tenha sido planeado bombardear a casa a partir de Abril de 1945 pela RAF (Royal Air Force-UK) essa meta não foi atingida devido ao que se consta ser um alvo muito pequeno, e muito difícil de "achar" através dos céus mesmo tendo uma elevada altitude.

Eisenhower, Comandante Supremo das Forças Aliadas, escreveu que a 3.ª Divisão de Infantaria do Exercito Americano foi a primeira a tomar "O Ninho da Águia". O General Maxwell D. Taylor, ex-Comandante Geral da 101.ª Divisão Aerotransportada, afirmou o mesmo. Fotografias mostram soldados da 3.ª Infantaria acima referida, relaxando sobre o pátio do "Ninho da Águia," bebendo dos famosos vinhos de Hitler. Estas mesmas confirmam que estes estavam presentes na casa em Maio de 1945.

Posteriormente o "Ninho da Águia" foi usado pelos Aliados como Comando Militar até 1960, ano em que foi devolvido ao Estado da Baviera.
Actualmente o edifício é propriedade de uma Instituição de Caridade, e serve como restaurante. É também uma popular atracção turística especialmente para britânicos e americanos atraídos pela importância histórica do "Ninho da Águia".
A casa pode ser acedida a pé (duas horas de caminhada), ou de Autocarro (não consegui saber se o elevador se encontra ainda em actividade).
As outras divisões da casa que não fazem parte do restaurante podem ser visitadas com um guia segundo se consta, essas mesmas como já foi referido oferecem uma vista fenomenal. O antigo estúdio onde Hitler supostamente trabalhava quando visitava o "seu ninho" serve agora de sala de armazenagem para o restaurante.

De referir por simples curiosidade, que a aclamada Mini-Série "BAND of BROTHERS", que retrata a Easy Company do 506º Regimento de Infantaria Pára-quedista do Exército Americano, 101ª Divisão Aerotransportada e que aconselho vivamente a sua visualização, mostra-nos essa mesma companhia a "capturar" o "Ninho da Águia".

Bibliografia:
History of the Eagle's Nest (Berchtesgaden, Verlag Plenk, 1998)
The Third Reich in Ruins; http://www.thirdreichruins.com/



Entrada do túnel do elevador, com o "Ninho da Águia" em cima, na década de 1940 e como elas estão hoje. Os edifícios de ambos os lados da entrada são pós-guerra. A placa na entrada acima mostra que o projecto foi concluído em 1938.


Lado esquerdo, soldados da 101.ª Divisão Aerotransportada do exercito norte-americano de guarda na entrada, em Junho de 1945. A moderna visão mostra o gabinete de bilhetes de autocarro e manutenção edifícios que foram erguidos em cada lado da entrada na década de 1950.

Á esquerda, um guarda na entrada do túnel, 1945. O sinal nesta entrada avisa que a mesma era apenas para Oficiais- todas as outras categorias tiveram de subir a trilha para o "Ninho da Águia".

O portal de entrada de mármore "Untersberg" leva ao túnel que sobe 104 metros na montanha. A foto da direita foi feita no período nazista pelo fotógrafo Ernst Baumann.

Interior do luxuoso elevador. Segundo o staff, o telefone no elevador é original de 1938, o relógio veio de um U-boat (Submarino alemão).


No topo da primeira foto, o elevador vem dar ao corredor, onde entra no refeitório. Esta é uma área secundária de jantar hoje, mas foi a área principal. Hitler tinha um escritório atrás da barra na extremidade final da sala ( não aberto ao público). Um pequeno espaço era para os guardas no final desse corredor (às vezes usado hoje como sala adicional de jantar). Segunda Foto, sala de jantar nos dias de hoje.


A sala principal, então e agora, foi o grande salão circular, revestido em blocos de granito. O período acima mostra a vista onerosa de tapetes e tapeçarias Gobelin acima da lareira em quadro, e a mesa circular para encontros íntimos.

Soldados da 101.ª Divisão Aerotransportada a desfrutar dos "luxos" da Casa em Maio de 1945.
A pequena redonda mesa foi substituída a 3 de Junho de 1944 para a recepção após o casamento da irmã mais nova de Eva Braun Gretl com Hermann Fegelein (SS-Gruppenführer), amigo de Heinrich Himmler's.

A lareira de mármore vermelho italiano, um presente de Benito Mussolini, e o tapete foi um presente do embaixador japonês. A parede traseira da lareira mostra dois cavaleiros montados e data da conclusão do edifício, 1938. A porta à direita, é a entrada principal da sala de jantar.


Foto durante a época que mostra uma visão parcial das montanhas a partir da esplanada.

Esta foto, que provavelmente data dos primeiros anos de 1950 após a reabertura do "Ninho da Águia" ao público.



Fotografias tiradas pouco depois da ocupação do exército norte-americano, e outra foto nos tempos de hoje.

Duas visualizações datadas de 1945 mostrando a casa a partir de lados opostos da montanha, mostrando as fortes ravinas de ambos os lados.

Um longo muro de 10 km's de segurança, patrulhado sempre por guardas SS, ao redor da area do "Ninho da Águia"

As fotos acima mostram a construção do "Ninho da Águia" no Inverno de 1937, e uma perspectiva da estrada concluída até ao "Ninho da Águia".

Motor de um U-Boat utilizado como gerador em casos de corte de electricidade no "Ninho da Águia".

Fotos retiradas do Arquivo Pessoal do autor de : The Third Reich in Ruins




Outras Fotos