24 maio 2009

Vale de Cambra

"Nas noites de luar, quando o grande balão de oiro surge na lomba das montanhas, o vale enche-se de magia, dum sortilégio que paira desde os píncaros longínquos às águas sussurrantes do Caima. De manhã é o milagre, todos os dias há um milagre de luz sobre a terra quando o sol nasce em Vale de Cambra."
Ferreira de Castro



«Situado num vale amplo, entre as margens esquerda do rio Caima e a direita do rio Antuã, numa zona de transição entre o litoral e o interior, o concelho de Vale de Cambra confina com os municípios de Arouca, Sever do Vouga, Oliveira de Frades, São Pedro do Sul e Oliveira de Azeméis. Apesar de ser essencialmente agrícola, tem vindo a desenvolver uma importante actividade no sector secundário. Nos últimos anos, foram criadas três novas zonas industriais.

A formação de terras de Cambra perde-se na antiguidade dos tempos. Testemunhos arqueológicos encontrados neste território indicam que já seria povoado três mil anos a.C.. Ainda são visíveis, entre outros, os dolménes e castros na freguesia de Arões e as insculturas, ao que tudo indica da Idade do Bronze, no Outeiro dos Riscos. Da cultura castreja, restam achados em Vila Cova de Perrinho, nas Baralhas, Moutides e Castelo de Sandiães. Do período de ocupação Romana, ficaram pontes e alguns troços de estradas.
A povoação é pela primeira vez mencionada na doação feita em 922 pelo rei Ordonho ao bispo de Gomado e ao mosteiro de Crestuma. Mais tarde, fez parte das terras de Santa Maria de Vandoma, pelo que, durante muitos, foi conhecida pelo nome de Santa Maria de Caymbra. Outros documentos referem-se-lhe sucessivamente como Caymbra, Braveira de Cambra e Macieira de Cambra.

No fim do século IX, já o território cambrense se encontrava num bom estado de povoamento. No início, era uma terra rural, com as suas "quintaneas", "agras", "póvoas", "vilares" e "chaves", mas, devido a uma importância crescente, baseada na riqueza do seu solo e no aumento constante da população, foi elevada á categoria de município. Crê-se que teve foral logo no dealbar da nacionalidade.
Naquela altura, numerosos fidalgos possuíam terras e bens neste vale fértil. No século XII, teve início a estirpe dos "de Cambra", uma família da linhagem dos Riba Vizela e que teve como precursor D. Afonso Anes, filho de D. João Fernandes de Riba Vizela e de D. Maria Fernandes Varela. No século XIV, o senhorio da terra de Cambra passou para as mãos dos condes da Feira, os Pereiras, e, mais tarde, para a Casa do Infantado.

Um marco importante na história do município foi a atribuição de carta de foral, em 1514, por D. Manuel I, á terra e concelho de Cambra, com sede em Macieira de Cambra.
Após a sua criação, em 1832, o concelho de Macieira de Cambra foi integrado no distrito de Aveiro, mas seria extinto em 1836, por decreto de Passos Manuel. Em 1840, foi restaurado para ser extinto novamente e anexado ao de Oliveira de Azeméis.
Em 1926, foi definitivamente extinto, aquando da criação do concelho de Vale de Cambra.»

Foral

«O valor deste diploma está em que ele constitui o reconhecimento da importância da Terra de Cambra no conjunto do Reino.
O Pelourinho que está associado a esta Carta de Foral foi classificado como imóvel de interesse público pelo Decreto n.º 23122 de 11 de Outubro de 1933. É ele próprio símbolo de poder municipal e da administração da justiça.
Era donatário destas terras o Infante D. Pedro, futuro Rei D. Pedro III. Outrora, até 1700, era dos Condes da Feira, dos Forjazes e Pereiras.
Macieira de Cambra integrou a província da Beira e pertenceu à comarca de Esgueira.»



Lugares que integravam as Terras de Cambra:

Titollo de Cabruum
Arooes
Campo d'Amçam
Paraduça Ervedoso Lourosella
Chaao do Carvalho
Merlaaes Caviao
Costellaaos Cabril e Areaaes
Coelhosa
Armental
Reffoyos e Gaynde e Aljariz
Codal e Paul

Brasão (brasão no início do texto)

«Brasão: escudo de verde, vaca de ouro passante; bordadura de negro carregada de quatro cachos de uvas de púrpura folhados de ouro, alternados com quatro abelhas do mesmo. Coroa mural de cinco torres de prata. Listel branco, com a legenda a negro, em maiúsculas: "VALE de CAMBRA".

Bandeira: gironada de oito peças de amarelo e negro. Cordão e borlas de ouro e negro. Haste e lança de ouro.

Selo: circular, com as peças do escudo sem a indicação de cores e metais, tudo envolvido por dois círculos concêntricos, onde corre a legenda: "Câmara Municipal de Vale de Cambra".»



Freguesias

Concelho

Habitantes

Área (ha)

Área

146,5 km2

Arões

1952

3978

Perímetro

68 Km

Cepelos

1587

1927

Altitude Máxima

1043 m

Codal

1025

214

Altitude Mínima

75 m

Junqueira

1295

1717

Densidade Pop.

167,1 hab/km2

Macieira de Cambra

4821

1821

Rôge

1901

1652

São Pedro de Castelões

7625

2148

1 cidade;2 vilas;9 freguesias

Vila Chã

4133

689

Vila Cova de Perrinho

459

511






Bibliografia
:

História das Freguesias e Concelhos de Portugal - Volume 18

Jornal de Notícias, JN Concelhos, Vale de Cambra

Município de Vale de Cambra

20 maio 2009

Entrevista exclusiva do capitão Salgueiro Maia (1974)

Entrevista exclusiva do capitão de Abril, Salgueiro Maia.



(clique para aumentar)

















Fonte:

Centro de Documentação 25 de Abril - Universidade de Coimbra

17 maio 2009

Ferreira de Castro

"Nas noites de luar, quando o grande balão de oiro surge na lomba das montanhas, o vale enche-se de magia, dum sortilégio que paira desde os píncaros longínquos às águas sussurrantes do Caima. De manhã é o milagre, todos os dias há um milagre de luz sobre a terra quando o sol nasce em Vale de Cambra."

Sobre Vale de Cambra

“Trepava a água às viçosas plantações, depenando toda a terra que braços fortes tinham roçado para a obra da criação. E os mais desprevenidos viam até ir na corrente, desfeito com vigor daninho, o lar que haviam fundado ao alcance de intrusa. Era a desolação e era a pobreza que a grande toalha impura trazia nas suas dobras”.

A Selva




«Eu nasci a 24 de Maio de 1898. Mas, quando penso na minha idade, sinto-me sempre mais novo, sinto-me sempre beneficiado por quatro anos a menos. São quatro anos iguais a um noite escuríssima, onde não é possível acender luz alguma. Não os viveu o meu espírito. Não estão na minha memória. Não me pertencem. Para a minha realidade espiritual eu tenho 28 anos. É que em 1902 que começo a povoar o museu da minha vida, a decorar a galeria das minhas recordações. Foi numa tarde de sol – tarde de luz forte que eu vejo ainda – que dei início ao longo da casa onde nasci. A diabrura que pratiquei, desvaneceu-se no esquecimento, mas lembro-me, sim, que minha mãe, saindo do quinteiro e agarrando-me por um braço, castigou-me. Passava na estrada, enxada ao ombro, um homem alto, bigodes retorcidos festonando as faces trigueiras. Deteve-se, sorriu e disse:
- “Assim é que é, senhora Mariquinhas! Nessa idade é que eles se ensinam”.
Odiei aquele homem. Por que, em vez de me proteger com a sua força, ele estimulava minha mãe a castigar-me ainda mais? Por que era ele tão mau e por que sorria vendo-me sofrer, se eu não nunca lhe tinha feitio mal?
É esta a minha recordação. E foram de ódio e de sofrimento as primeiras sensações que a vida me deu. Eu tinha quatro anos e meio»

«Quando vinha com minha mãe ao mercado de Oliveira de Azeméis, passava por uma meia porta e via lá uma máquina a trabalhar, a tirar o jornal; aquilo parecia-me uma obra de Deus e o meu sonho todo, tinha 9 anos, seria escrever umas coisas para aquele jornal, para a «Opinião». Se alguém podia ter feito a felicidade de uma criança, seria aquele jornal.»

« ...Na minha aldeia fiz a instrução primária; no seringal, lia todos os livros que conseguia encontrar, o que estava muito longe de ser suficiente. Eu sou autodidacta. Não posso mesmo dizer que estudei no que isto significa de disciplina, pois tudo o que aprendi, desde as línguas que me permitissem conhecer o espírito dos outros povos, até à Sociologia e a Filosofia, que tanto me interessavam, o fiz sem esforço... e graças a isso, todas as minhas incursões no mundo do conhecimento humano foram agradáveis em vez de penosas»
Ferreira de Castro passou cerca de quatro anos em plena selva e só não foi cortar borracha por causa da sua idade, ficando empregado no armazém do “aviador”... Em plena selva amazónica, escreveu as primeiras tentativas literárias ... Aos 14 anos de idade, sua vocação literária levava-o a escrever a sua primeira novela, intitulada “Criminoso por Ambição”...




«José Maria Ferreira de Castro nasceu a 24 de Maio de 1898, no lugar de Salgueiros, freguesia de Ossela, concelho de Oliveira de Azeméis. De origens humildes, órfão de pai, a sua educação foi rude e exigente, influenciando a sua personalidade triste e amargurada. Em 1904 entra para a escola primária de Ossela, que lhe confere as únicas habilitações que possui, motivo do qual se orgulhava. Interessa-se desde muito cedo pela leitura, adquirindo todas as obras de cordel que a sua parca condição financeira podia suportar.
Passa os primeiros anos da sua vida em intensa comunhão com a natureza do vale banhado pelo rio Caima, em Ossela.

Aos 12 anos de idade emigra para o Brasil, passando parte da sua adolescência, de início no Seringal Paraíso, no interior da Amazónia, e posteriormente, em Belém do Pará, onde trabalhou arduamente para conseguir subsistir.

Em 1916 consegue publicar o romance "Criminoso por Ambição", que distribui porta a porta. A partir daí, começa a colaborar com alguns jornais locais, estabelecendo, a pouco e pouco, relações com pessoas que lhe abrem o caminho na vida jornalística. Produz e publica, por esta altura, algumas novelas, que, apesar de renegadas mais tarde, lhe começam a conferir alguma notoriedade.
Contudo, só em 1928, com a publicação de Emigrantes, se inicia definitivamente a sua carreira literária, alcançando notória consagração em 1930, ano em que publica a Selva, a obra lusófona com mais traduções feitas.
Com este sucesso editorial, quer em Portugal, quer no estrangeiro, consegue, através da publicação de diversos e sucessivos êxitos literários, alimentar a auréola da notoriedade até falecer, em 1974, com 76 anos de idade. Mas, para além da notoriedade literária, a personalidade humanista de Ferreira de Castro, que tão bem alimentou a sua obra, constituiu uma referência cívica e moral na luta contra o regime ditatorial e em prol dos direitos humanos.»



«Nasce o homem e, se não dispõe de riqueza acumulada pelos seus maiores, fica a mais no Mundo. Entra na vida -- já se disse e é bem certo -- como as feras nos antigos circos -- para a luta! Luta para criar o seu lugar, luta contra os outros homens, luta pelas coisas mesquinhas e não pelas verdadeiramente nobres, por aquelas que contribuiriam para uma maior elevação humana. Para essas quase não há tempo de existência de cada um.»
[do «Pórtico»], Ferreira de Castro, Emigrantes


Emigrantes

" Preta e branca, preta e branca, o preto mui luzidio e muito níveo o branco, a pega, de cauda trémula, inquieta, saracoteava entre carumas e urgeiras, esconde aqui, surge ali, e por fim erguia voo até a copa alta do pinheiro, levando no bico ramo seco ou graveto.
O pinhal, todo de troncos grossos, casca áspera e gretada, adormecia austeramente, no diáfano silêncio da tarde primaveril. As suas pinhas dir-se-iam incopuladas ou corroídas pelo antídoto maltusianista, porque, cá em baixo, no solo castanho e acidentado, nenhum pinheiro infante erguia para o céu os bracitos verdes. Os caules nus, quasi negros, assimétricos, eram colunas dum templo bárbaro, em cuja cúpula transparente o sol ia tecendo prateada e fantasiosa malha. Por vezes, o tecido incorpóreo esfarrapava-se e descia, em fluidos caprichosos, até aos galhos, onde formava pulseiras, ou até ao chão, onde coagulava em jóias bizarras.
Ao fundo, cortando o declive, estendia-se a linha avermelhada dum valado, que cedia terreno e entrincheirava uma multidão cerrada de pinheiros adolescentes e mui viçosos - a prole que os velhos não quizeram cobrir com as suas asas seculares.
Á esquerda, para lá ainda da falda do outeiro, es … "

In "Os Emigrantes", capitulo "Primeira Parte"

A Selva

" Fato branco, engomado, luzido, do melhor H. J. que teciam as fábricas inglesas, o senhor Balbino, com um chapéu de palha a envolver-lhe em sombra metade do corpo alto e seco, entrou na "Flor da Amazónia" mais rabioso do que nunca.
Ter andado de Herodes para Pilatos, batendo todo o sertão do Ceará no recrutamento dos tabaréus receosos das febres amazonenses e tranquilos sobre o presentes, porque há anos não havia secas, e afinal, depois de tanto trabalho, de tantas palavras e canseiras fugirem-lhe nada menos de três! Que diria Juca Tristão, que o tinha por esperto e exemplar, quando ele lhe aparecesse com três homens a menos no rebanho que vinha pastoreando desde Fortaleza ?. E o Caetano, que ambicionara aquele passeio por conta do seringal e que assistira, roído de inveja, à sua partida ? Rir-se-iam dele… Quási dois contos atirados por água-abaixo !
No topo da escada, esbatendo-se na penumbra, surgiu o abdómen e logo o rosto avermelhado de Macedo, proprietário da "Flor da Amazónia": … "

In "A Selva", capitulo I

A Curva da Estrada

" Encontavam-se os três à mesa de jantar e o velho relógio de pêndula onze horas menos um quarto. Mercedes mostrava-se impaciente.
-Ramona! -gritou. -Então o café? E dirigindo-se ao irmão e ao sobrinho: -Esta mulher está cada vez pior !
Ouviam-se já os passos da criada no corredor e, logo que ela entrou na sala, Mercedes censurou-a:
-Por mais que eu repita, há-de ser sempre isto! A comida nunca está pronta a horas! Jantamos sempre tarde.
Ramona não se justificou, mas, pelos seus modos, Soriano compreendeu que ela resmungava por dentro. E parecia que o silêncio e a imobilidade de Paco apoiavam e aumentavam a razão de Mercedes.
-Em Espanha janta-se sempre tarde demais -disse. Soriano, em tom conciliador, assim que a criada saiu, depois de ter servido o café. … "

In "A Curva na Estrada" capitulo I


“Os Escritores”

“São os escritores os argonautas de todos os mares convulsos da alma e os aeronautas de todos os céus tranquilos da Beleza.
Eles são como espelhos onde a tragédia procura alinhar a sua cabeleira desgrenhada e as suas penas são como termómetros que marcam todos os graus da dôr humana. E adentro da Vida os escritores são maiores do que o mito de deus, poque êles não só desvendam a alma do Homem, como criam à margem da vida um homem mais perfeito do que aquele que a lenda afirma ter deus criado.”

In “A Epopeia do Trabalho”, “Os Escritores”


“SCENA XI”
“ANNA: (Esfarrapada, cabelos em desalinho, sentada numa das margens do rio, soluça) -... Tão bonita foi a minha vida. Moça, adorada por todos da freguesia, era uma rainha. Cazei-me e com o meu marido que é um homem trabalhador, honesto, vivia feliz. A felicidade ainda chegou a redobrar, quando vieram os nossos filhinhos. Mas... não há bem que sempre dure... Veio a Allemnha querendo, com as suas forças superiores, tomar-nos o que mais do que legitimamente era nosso. (Pausa). O meu Manuel foi um dos primeiros que chamaram para defender a patria.
Foi, e nós, que vivíamos do seu trabalho, começamos a passar miseria.
Vendi a minha honra para arrancar á fome o ultimo dos meus filhinhos, mas já era tarde; como o primeiro, morreu por não ter que comer.
O malvado, o miserável que, valendo-se do meu amor materno, saciou os seus ludibinosos desejos, abandonou-me. (Aperta, com as mãos, a cabeça). Eu bem sabia que elle faria isso. Vendi-me, mas foi para salvar o meu filho, mas... Deus não o quis na terra. (Pausa).
Para que me serve agora a vida, ó meu Deus?! Sem filhos, esses pedaços do meu coração; deshonrada, indigna de unir-me ao meu marido; exhausta; esfarrapada; esfomeada; cheia de remorsos... para que quero eu a vida? (Levanta-se. Ao longe ouve-se um canto melancólico que se aproxima). Ó Alemanha, Alemanha, sê maldita! (Atira-se ao rio. O palco fica um momento deserto. Depois aparecem correndo para a margem do rio, duas pastoras).

Alma Lusitana (Peça em 6 quadros e 2 actos)






Fontes:

Casa Museu Ferreira de Castro


Centro de Estudos Ferreira de Castro


Biblioteca Municipal Ferreira de Castro

Associação Prémio Nacional de Literatura Juvenil Ferreira de Castro

Albert Battel


Albert Battel (21 de Janeiro de 1891 - 1952) foi um ( Wehrmacht) oficial alemão, advogado, e humanitário.

Battel nasceu em Klein-Pramsen, na Silésia prussiana. Após servir na I Guerra Mundial, estudou Economia e Jurisprudência em Munique e em Breslau (Wrocław).
Com cinquenta e um anos de idade era oficial de reserva. Battel estava estacionado em Przemyśl no sul da Polónia, onde era ajudante do comandante militar local, o Major Max Liedtke. Quando as SS se preparavam para lançar a primeira "reinstalação" (liquidação) de judeus em Przemyśl a 26 de Julho de 1942, Battel, em consorcio com o seu superior hierárquico, ordenou o bloqueio da ponte sobre o Rio San, o único acesso para a gueto judeu.

O comando local das SS tentou atravessar a ponte bloqueada, no entanto sargento-ajudante de guarda da ponte ameaçou abrir fogo a menos que se retirassem. Tudo isso aconteceu em plena luz do dia, para o espanto dos habitantes locais.

Pouco tempo depois, nessa mesma tarde, um destacamento do exército sob o comando de Albert Battel invadiu a área do gueto e utilizando camiões do exército, evacuou mais de 100 famílias judias para o quartel do comando militar local. Estes judeus foram colocados sob a protecção da Wehrmacht e foram, portanto, protegidos da deportação para o acampamento-extermínio de Belzec.

Após este incidente, as autoridades SS começaram uma investigação em segredo para averiguar a conduta do oficial do exército que ousou desafia-los sob as referidas circunstâncias. Ele viu que Battel, embora fosse membro do Partido Nazi desde Maio de 1933, já havia sido noticia no passado pelo seu comportamento amigável para com os judeus. Antes da guerra havia sido indiciado por ter feito um empréstimo a um colega judeu. Mais tarde, no decurso do seu serviço em Przemyśl, ele foi cordialmente advertido por "apertar" a mão do presidente do Conselho Judaico. Toda a questão chegou a atenção do mais alto nível da hierarquia Nazi. Nada menos do que Heinrich Himmler (Reichsführer-SS, chefe das SS), que teve um interesse nos resultados do inquérito e enviou uma cópia da documentação incriminatória para Martin Bormann, chefe da Chancelaria do Partido e braço direito de Adolf Hitler. Na carta de acompanhamento, Himmler jurou que o advogado fosse preso imediatamente após o fim da guerra.

Toda esta investigação permaneceu desconhecida para Battel. Em 1944, teve alta do serviço militar por causa de doença cardíaca. Quando voltava para sua cidade natal (Breslau), caiu em cativeiro pelos Soviéticos. Após a sua libertação, regressou Republica Federal Alemã, mas foi impedido de voltar a exercer a advocacia por decisão de tribunal. Morreu em 1952 em Frankfurt.

A sua posição contra as SS (bloqueando a ponte), só ficou reconhecida muito tempo depois da sua morte, especialmente, através do esforço tenaz do investigador israelita e advogado Dr. Zeev Goshen.

Em 22 de Janeiro de 1981, quase 30 anos após sua morte, Yad Vashem decidiu reconhecer Albert Battel como: "Justos entre as Nações", tendo uma árvore com o seu nome em Israel.


Fontes:

en.wikipedia.org

Righteous Among the Nations

Auschwitz - Os Nazis e a Solução Final, BBC, 3º episódio