17 setembro 2009

The Beatles on Record

Em 1962, um grupo desconhecido de Liverpool entrou nos Abbey Road Studios para gravar o seu primeiro single. Durante os próximos oito anos, eles criaram o que é indiscutivelmente considerada a maior colecção de gravações de estúdio do século XX.

Este filme relata a extraordinária viagem dos Beatles de Please Please Me à Abbey Road e reflecte como se desenvolveram como músicos, compositores e como amadureceram criando musicas intemporais.

Narrado inteiramente por John, Paul, George e Ringo e Sir George Martin, o documentário apresenta imagens raras e fotos dos arquivos dos Beatles, músicas e conversas de estúdio das sessões de gravação Abbey Road nunca ouvidas até agora. Com a qualidade da BBC.














Portugal - Segunda Guerra Mundial III

Salazar interferiu nas emissões da BBC para Portugal

«As notícias sobre a resistência russa não chegavam, a palavra democracia era proibida e um jornalista chegou a ser afastado, situações que provam que Salazar interferiu na linha editorial das emissões para Portugal da BBC, segundo uma tese de doutoramento.

"O Estado Novo e, portanto, Salazar pessoalmente, tentou, e conseguiu em alguns casos, interferir na linha editorial da BBC de várias formas", sustenta Nelson Ribeiro, Director de Programação da Rádio Renascença, professor universitário e autor da tese "Radio Broadcasting in Portugal during World War II".

Para o sustentar, Nelson Ribeiro apresenta vários "episódios" na tese que concluiu recentemente na Universidade de Lincoln (Reino Unido) e sobre a qual falou à Lusa.

O caso "mais emblemático" ocorre em 1941, com o despedimento de Armando Cortesão, exilado em Londres e ao serviço da secção portuguesa da BBC. Salazar insurge-se contra a hipótese de aquele vir a chefiar a secção e ordena à censura portuguesa que corte "todas as notícias" da estação, "o que coloca a propaganda britânica em Portugal quase ao nível zero".

"As outras influências eram um pouco mais subtis", compara o autor, nomeando que houve "pressões diplomáticas" para não se "falar sobre o papel da União Soviética na Guerra". Também a democracia era "assunto tabu nas emissões da BBC para Portugal até 1944".

Outro estragema foi usado quando do surto grevista de 1944 em Portugal: a BBC noticiou-o, mas citando o Diário da Manhã, jornal oficioso do regime, que desvalorizava o protesto. Há uma "preocupação não de esconder a informação mas de a transmitir de forma a que as relações com o Estado Novo não fossem postas em causa", avalia.

Mas que interesse tinham os ingleses nisso? Era "muito importante para os aliados que Portugal se mantivesse neutro", destaca Nelson Ribeiro. Londres tinha, por isso, "muito interesse em conseguir fazer a sua propaganda em Portugal e Salazar sabia disso".

"Mesmo nos momentos mais delicados [como o das exportações de volfrâmio para a Alemanha], a BBC nunca atacou directamente" a ditadura portuguesa, mantendo um "clima de simpatia" com o Estado Novo, que se traduziu até em "elogios do trabalho que era feito por Salazar".

Tal situação chegou a motivar "cartas de ouvintes portugueses a protestarem", pois "davam-se ao trabalho" de comparar as emissões em português, iniciadas em Junho de 1939, com as outras emissões estrangeiras.

Salazar "também tratava relativamente bem a BBC", defende o autor. Durante os primeiros seis meses de emissão, "a Emissora Nacional retransmitia, nas suas próprias emissões, a posteriori, o noticiário da secção portuguesa".

"A rádio portuguesa tinha pouca informação, muito atrasada e muito censurada" e "a ideia que as pessoas têm sobre as emissões para Portugal da BBC é de que eram totalmente credíveis, objectivas e independentes", salienta.

Claro que Nelson Ribeiro não concluiu "exactamente o oposto". "De todas as fontes de informação que existiam em Portugal durante a Guerra, não há dúvida nenhuma de que a BBC era a que transmitia informação mais objectiva. Mas não é verdade que não tivesse que assumir uma série de compromissos de forma a estar alinhada com a política do Foreign Office [diplomacia britânica] e esta era, antes de mais, não afrontar o Estado Novo", sustenta.»

Fonte: Diário de Noticias


16 setembro 2009

Portugal - Segunda Guerra Mundial II

Lisboa esteve no centro da espionagem


«Não é segredo que Lisboa esteve no centro da espionagem durante a Segunda Guerra Mundial, mas os agentes secretos ingleses, alemães, italianos, japoneses e norte-americanos agiam igualmente fora do continente e nos territórios lusófonos.

A historiadora Irene Pimentel, num artigo intitulado Lisboa, capital europeia da espionagem, refere que o seu colega norte-americano Douglas Wheeler descreveu Portugal durante a guerra como spyland (país de espiões).

O autor de livros sobre espionagem Nigel West, pseudónimo do historiador britânico e antigo deputado Rupert Allason, escreve que «Lisboa foi um dos grandes centros de espionagem da Segunda Grande Guerra».

E explica: «a sua localização geográfica (o facto de não estar cercada por terra como as capitais neutrais de Madrid ou Berna) fez dela uma encruzilhada dos caminhos internacionais».

Num prefácio ao livro O diário secreto que Salazar não leu, do jornalista Rui Araújo, Nigel West descreve a «atmosfera de intriga» na capital portuguesa, como «os profissionais de informações de diversos países conspiravam para se prejudicarem mutuamente, semeando falsas informações, recrutando desertores, buscando fontes e mobilizando agentes duplos».

Rui Araújo, a escrever um segundo livro sobre o tema da espionagem em território português durante a Segunda Guerra Mundial, disse à agência Lusa que Lisboa era local «de contactos, negociatas, raptos, mas também 'manobras de desinformação'» e, neste caso, era importante o papel da portuguesa Polícia de Vigilância e Defesa do Estado (PVDE, antecessora da PIDE).

O jornalista afirmou que «pessoas influentes da PVDE chegaram a ser alvo de 'operações de manipulação' por parte dos serviços norte-americanos (os antecessores da CIA)».

«Os serviços secretos japoneses estavam igualmente em Portugal e eram muito activos, tinham uma relação privilegiada com o capitão Agostinho Lourenço (director da PVDE na época da Segunda Guerra e primeiro director da PIDE), que também terá recebido dinheiro dos serviços secretos alemães», adiantou.

Segundo Rui Araújo, «no final da Segunda Guerra, Aliados e Eixo tinham agentes em todos os territórios portugueses, com excepção da Guiné e Goa».

«O simples número de agências que actuavam em Lisboa vale como um indicador da importância da cidade para os serviços de informações britânicos», indica Nigel West, que fala dos serviços secretos de informações, de fugas e evasões, de operações especiais e de contra-espionagem.

Nigel West considera também que «a dimensão da espionagem nazi desenvolvida em Lisboa não tinha comparação com a de qualquer outra capital neutral e só talvez Madrid se lhe pudesse aproximar».

Irene Pimentel refere «o opositor anti-nazi alemão Berthold Salomon Jacob, raptado pela Gestapo na baixa lisboeta, no Verão ou Outono de 1941», bem como «o rapto (em Lisboa, em 1944) e o envio para a Alemanha do oficial alemão da Abwehr (serviço secreto do Alto Comando Militar Alemão), Johann Jebsen, que terá colaborado com uma rede de agentes duplos jugoslavos (…), desde o Verão de 1943».

A historiadora indica ainda hotéis em Lisboa e na zona de Cascais onde se alojavam ou encontravam espiões de cada um dos lados em conflito.

«O Tivoli, hotel de luxo, situado na Praça dos Restauradores, tinha mesmo, no 4.º andar, um corredor que ligava directamente ao cais dos comboios da estação do Rossio, para possibilitar a chegada incógnita e sem controlo policial de personalidades importantes e espiões», explica Irene Pimentel.

Considerados pró-britânicos eram o Hotel Metrópole e o Aviz, em Lisboa, enquanto na linha de Cascais o Grande Hotel da Itália e o Hotel Palácio eram os preferidos dos Aliados.

No Hotel Palácio estiveram alojados, segundo Irene Pimentel, o «conhecido agente triplo Dusko Popov ('Triciclo')» - que também esteve instalado no Aviz -, o agente duplo Juan Pujol ('Garbo') e Nubar Gulbenkian, filho de Calouste Gulbenkian, que «trabalhou para os serviços secretos britânicos».

A historiadora adianta que Harold 'Kim' Philby - um dos mais famosos espiões do século XX que desertou para a União Soviética em 1963 após uma carreira nos serviços secretos britânicos -, Ian Fleming, criador de James Bond, e o escritor Graham Greene (O nosso agente em Havana, O fim da Aventura) passaram também pelos hotéis da zona do Estoril.»


Fonte: SOL


Portugal - Segunda Guerra Mundial

Cronologia de acontecimentos relevantes para Portugal


«1939
17/03 - Salazar e Franco celebram o Pacto Ibérico, Tratado de Amizade e Não Agressão.
14/04 - O governo português recusa o convite da Itália para se juntar ao Pacto Anti-Komintern


01/09 - Começa a II Guerra Mundial, com a invasão alemã da Polónia.

02/09 - O governo reafirma a posição de neutralidade de Portugal na guerra através da Nota Oficiosa da Neutralidade Portuguesa no Conflito Europeu.

14/12 - O Decreto-Lei n.º 30.137 atribui ao governo, às estruturas corporativas e aos organismos de coordenação económica competências alargadas em matéria de fixação de preços e definição de quotas de distribuição de alguns produtos a importar ou destinados à exportação.

1940

- Cerca de 100 000 jrefugiados, na maioria judeus, conseguiram chegar à Península Ibérica. Espanha acolheu um número limitado de refugiados e logo em seguida enviou-os para o porto de Lisboa. Da capital portuguesa milhares de refugiados conseguiram embarcar rumo aos Estados Unidos entre 1940 e 1941. Há 59 anos dezenas de crianças austríacas foram salvas ao serem enviadas para Portugal onde cresceram em famílias de acolhimento.

06 e 07/06 - A Alemanha invade França. A posição da Península Ibérica, nomeadamente de Portugal, altera-se radicalmente com a possibilidade de lançamento da «Operação Félix» (invasão de Espanha e, caso necessário, Portugal para conquistar Gibraltar).

12/06 - É divulgada a declaração conjunta de neutralidade dos governos português e espanhol, sendo afirmado pelo governo de Salazar a «estrita neutralidade» de Portugal.

29/06 - O governo português temendo a independência da metrópole face à «Operação Félix» consegue fazer com que Espanha assine um protocolo adicional ao Tratado de Não Agressão.

Dezembro - Iniciam-se negociações militares para assegurar a protecção e o apoio inglês a um plano de retirada do governo português para os Açores em caso de um ataque alemão ou espanhol.

1941

11/07 - A Legião Portuguesa congratula-se com a invasão da URSS pela Alemanha em 22 de Junho. Estreitam-se os laços económicos com a Alemanha.

04/12 - Depois do ataque japonês a Pearl Harbour, os Estados Unidos declaram guerra contra as potências do Eixo e criam uma nova ameaça a Portugal porque o presidente norte americano considerou a opção da invasão de Portugal e seus territórios insulares. Salazar responde com um protesto e dá ordens para que as tropas portuguesas respondam a qualquer ataque. Roosevelt acaba por pedir desculpa a Portugal.

1942

31/03 - Bloqueio económico imposto pelos Aliados provoca racionamento de bens essenciais. Salazar é obrigado a aceitar negociar, no verão de 1942, um acordo comercial de guerra nos termos impostos pela Grã-Bretanha.

Out./Nov. - Forte surto grevista na Grande Lisboa.

1943

31/01 - O marechal Friedrich von Paulus capitula em Estalinegrado.

Maio - A Tunísia cai para os aliados. A Inglaterra solicita ao governo português autorização para a permanência aliada nos Açores, para o abastecimento de aviões provenientes da América. O pedido é acompanhado da ameaça de uma invasão do arquipélago em caso de recusa.

17/08 - É assinado o acordo em que Portugal se compromete a ceder a base das Lajes nos Açores, bem como providenciar o reabastecimento dos navios ingleses. O acordo fica dependente do compromisso assumido pelo Governo Britânico de prestar ao Governo Português apoio e auxílio militar no caso de ataque.

Os EUA que não estavam incluídos neste acordo querem ter os mesmos benefícios. Salazar aceita e estabelece que os EUA devem construir um aeroporto na Ilha de Santa Maria, mas que essas instalações passariam para a propriedade do Estado português no final da guerra.

De 1941 a Janeiro de 1944 a disputa pelo volfrâmio foi uma questão essencial. A Grã-Bretanha dominava a maior parte da produção do minério em Portugal. O embaixador britânico apresenta em Lisboa uma exigência de embargo à exportação de volfrâmio para a Alemanha. Salazar resiste enquanto pode perante a pressão dos aliados, sob forma do estrangulamento económico e ameaças à integridade do espaço colonial, desiste de algumas condições que tinha colocado. A 12 de Junho decreta, não o fim da exportação de volfrâmio para a Alemanha mas o encerramento geral das minas e o fim da exportação do minério para todos os países.

1944

25/05 - Realiza-se o II Congresso da União Nacional. Na abertura do congresso, Salazar apresenta a política de «preparação nacional para o pós-guerra».

06/06 - Dia D ou a Invasão da Europa por forças aliadas.

28/11 - Portugal e os Estados Unidos assinam um acordo de concessão de facilidades militares nos Açores, que será mantido secreto.

1945

30/04 - Hitler suicida-se no bunker da Chancelaria de Berlim.

03/05 - O governo de Salazar decreta luto oficial de três dias pela morte de Hitler.

07/05 - As tropas alemãs capitulam em Reims, capitulação confirmada a 08 de Maio em Berlim.

19/05 - Manifestação de apoio ao Estado Novo, a Salazar e ao presidente Carmona, organizada pelas câmaras municipais e governos civis dos distritos.

06 e 09/08 - O presidente americano Harry Truman ordena o lançamento de bombas atómicas sobre Hiroxima e Nagasáqui.

17/08 - Os japoneses autorizam que o governador português volte a exercer o seu cargo em Timor mas mantêm as suas tropas que acabam por se retirar a 05 de Setembro. A rendição acabou por ser feita a uma delegação australiana e a administração do território voltou para as mãos dos portugueses a 27 de Setembro de 1945.

02/09 - O Japão assina o acto de capitulação e termina a Segunda Guerra Mundial.»


Fonte: SOL