15 outubro 2009

Agostinho Lourenço


Agostinho Lourenço da Conceição Pereira nasceu a 5 de Setembro de 1886 na freguesia de S. Mamede, em Lisboa. Alistou-se como voluntário na Companhia de Equipagens, sendo incorporado em 24 de Junho de 1906. Em 1912 é promovido a Alferes.
Oficial de Infantaria, foi promovido a capitão após a I Guerra e colocado no Estado-Maior do Exército (Carreira de Tiro de Lisboa (Pedrouços)). Com a Ditadura Militar, abandona a sua carreira nas forças armadas e ingressa na PSP onde é nomeado Comissário da 3ª Divisão da PSP de Lisboa. Exonerado a seu pedido de Comandante de Divisão da PSP de Lisboa, em 1931, torna-se director da Polícia Internacional e, dois anos depois, da PVDE. Durante a II Guerra, garante uma imagem de neutralidade (ainda que por vezes lhe sejam imputadas simpatias anglófilas). Após a extinção da PVDE, continua a assegurar a direcção do organismo que a substituiu - a PIDE -, cargo que manteve até finais dos anos 50. Esteve, assim, à frente dos destinos das polícias políticas do Estado Novo - Polícia Internacional, PVDE e PIDE - durante mais de vinte anos.

De um relatório dos serviços de espionagem ingleses de 16 de Julho de 1941 sobre alguns responsáveis da PVDE extrai-se o seguinte sobre Agostinho Lourenço:

O Capitão Lourenço dirige-se sempre aos seus subalternos como Director. É uma pessoa particularmente activa e disciplinadora. As decisões importantes não são tomadas pelo staff sem obterem a sua aprovação e consentimento. Chefia os serviços com mão de ferro. O Capitão Lourenço é amigo pessoal do Presidente do Conselho. Quando Salazar chegou ao poder, pediu a Lourenço para chefiar a PVDE. Ele concordou, na condição de poder actuar sem interferências de qualquer espécie, Salazar acedeu. (...) Creio que Lourenço é um homem sem preconceitos, indiferente a rumores. É uma pessoa de princípios (...) 1

No entanto, os serviços secretos suspeitam que Agostinho Lourenço tenha sido comprado pelo serviço de informação alemão, provavelmente terá recebido mil contos (meio milhão de euros, hoje). Agostinho Lourenço acredita na invencibilidade dos alemães e possui aquilo que considera mais importante: poder e autoridade.
Os Britânicos equacionam também a "compra" do director, mas chegam á conclusão que a «aquisição» é improvável. Acreditam que a melhor opção é subornar os colaboradores de Lourenço. 2

De outro relatório dos serviços britânicos, passado algum tempo do primeiro, com acusações particularmente graves:

A deterioração do estado físico de LOURENÇO é tal que Portugal já não lhe interessa. Apenas se preocupa com as costuras dos seus bolsos sujos. Os alemães sabem pertinentemente que o homem é doente e tratam-no agora como um criado e não como um colaborador. Cada vez mais a sua actividade é contrabando (...) Vendeu toneladas de alimentos á Alemanha. Os alemães enganam-no ás claras, e ao menor sinal de resistência a alguns dos seus pedidos maís incríveis, ameaçam contar tudo. É um esquema que resulta sempre porque é a coisa que ele mais teme. Lucrou bastante com o negócio do volfrâmio. Conseguiu comprar volfrâmio ao preço legal e vendeu-o ao ministro romeno Cadere pelo dobro. Cadere cobrou ainda mais ao governo romeno. Toda a gente sabe que ele também está metido no caso KRAIS. Sacou o seu antes de KRAIS ser descoberto (Friederich KRAIS confessou que um agente alemão transportou para Portugal acções, obrigações e dinheiro que supostamente pertenciam a Hermann Goering e que os alemães transferiram quantidades importantes de ouro e demais valores para o Banco de Portugal). Os britânicos sabem do que é capaz e quanto mais se enterrar no lodaçal pior vai ser para ele. O novo embaixador vai entregar pessoalmente a Salazar um dossier sobre as suas actividades. O dossier prova que ele é pior do que um vigarista - é um traidor. 3

Salazar não demite o responsável da PVDE. No final da guerra, o Capitão Agostinho Lourenço é nomeado pelo Presidente do Conselho director da recente-criada PIDE. Só resta saber, portanto, se o dossier comprometedor foi entregue a Salazar...

Agostinho Lourenço morre em 1964.

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1 , 2 e 3 : O Diário Secreto que Salazar não Leu, Rui Araújo, Oficina do Livro

Bibliografia:
Serviço de Informações de Segurança (SIS)
O Diário Secreto que Salazar não Leu, Rui Araújo, Oficina do Livro
Sábado

14 outubro 2009

Vôo 777 - A ( Lisboa - Whitchurch )



O Douglas DC-3 Ibis da BOAC, Lisboa - Grã-Bretanha é abatido por caças da Luftwaffe na manhã de terça-feira, 1 de Junho, quando sobrevoa o Golfo da Biscaia. O incidente é amplamente noticiado na Europa e nos Estados Unidos, sobretudo pela presença entre as vítimas da estrela de cinema de Hollywood, Leslie Howard, e as circunstâncias misteriosas que o rodeiam. As agências noticiosas internacionais emitem despachos no dia 2.» Jornais portugueses também relatam os factos tendo o Século publicado 8 notícias, incluindo honras de primeira página.

Em 1939, Leslie Howard interpreta o papel mais importante da sua carreira: o do gentleman Ashley Wilkes, em Tudo o Vento Levou. O filme é um sucesso, mas o actor (judeu) inglês instala-se em Londres e começa a participar nas operações de propaganda antinazi, designadamente como realizador de cinema. O Diário da Manhã (afecto ao regime) é, no dia 3, um dos primeiros jornais portugueses a noticiar a tragédia.

Reproduzem-se as interrogações da imprensa londrina sobre o desastre:
As carreiras aéreas entre a Inglaterra e Portugal gozaram de imunidade até ao dia em que um avião desse serviço é atacado pelo inimigo. Qual é pois a razão deste ataque?» - pergunta Ward Price, jornalista britânico muito conhecido pelas suas viagens aos diversos países da Europa, antes da guerra. É de presumir - diz ele - que os alemães se esforçassem especialmente por interceptar determinado avião.»

António Leite Faria, primeiro secretário da embaixada de Portugal em Londres nessa altura, contou ao escritor Fernando Dacosta que o ataque podia resumir-se a uma tentativa para assassinar Winston Churchill.

Parece que os serviços secretos alemães viram um senhor muito gordo embarcar na Portela e pensaram que podia ser o Churchill. Lisboa era na altura, dada a ocupação da França, um ponto de passagem obrigatório para a Inglaterra, para a América, para o Norte de África, para o Médio Oriente.

O "senhor muito gordo" que fumava charuto e embarcou nessa manhã na Portela de Sacavém é Alfred Chenhalls, amigo e contabilista de Leslie Howard. Uns anos mais tarde, o próprio primeiro-ministro britânico menciona este boato no IV volume das suas memórias de guerra:
A brutalidade dos alemães só era comparável á estupidez dos seus agentes. É difícil imaginar que com todos os recursos da Grã-Bretanha ao meu dispor, eu fosse marcar passagem num avião comercial sem escolta para regressar a Londres á luz do dia.

De repente, surgiu a voz do piloto holandês no rádio: «Estou a ser seguido por aeronaves estranhas. Estou a aumentar a velocidade...Estamos a ser atacados. Tiros de canhão e tracejantes estão a penetrar na fuselagem. Tenho esperança e faço o melhor que posso». A partir dai, o silêncio».

No dia seguinte, Berlim emitia um comunicado em que reivindicava ter abatido um aparelho inimigo que sobrevoava a Atlântico. Londres anunciava que o Douglas com quatro tripulantes e 13 passageiros, incluindo o actor Leslie Howard, estava atrasado e presuvilmente perdido. Pela primeira vez, um aparelho comercial sem armamento, que efectuava a carreira Lisboa - Londres desde 1940, foi abatido. Qual a razão?
O Douglas tinha deslocado da Portela, um aeroporto utilizado por aviões dos Aliados e do Eixo. A carreira da tarde de Londres servia para transportar jornais ingleses para a Legação Alemã. E permitia obter (através da Suíça) informações sobre os prisioneiros de guerra. Os aviões que passavam pela Portela beneficiavam de um estatuto implícito de imunidade.
Os ingleses consideram a violação do salvo-conduto um incidente integrado na caça a Winston Churchill, que viajava para Inglaterra, em proveniência da América do Norte e do Norte de África.

Segundo o perito de aeronáutica Chris Goss, o Douglas não foi atacado intencionalmente porquanto os pilotos dos oito Junkers Ju 88 do Grupo V Kampfgeschwader 40, que deslocaram de Bordéus nessa manhã, desconheciam a presença de aviões civis na zona que patrulhavam, Há pelos menos, três teorias para explicar o ataque da aeronave da BOAC:

1 - Confusão entre Winston Churchill e o passageiro Alfred Chenhalls.
2 - Confusão entre Leslie Howard e o guarda-costas de Churchill, Walter H. Thompson.
3 - Erro da Luftwaf.

Viajavam também no avião com destino a Londres o Sr. Stonehouse, redactor chefe da Reuter em Washington e o gerente da Shell em Portugal, Sr Sheringtow além de várias senhoras e crianças.
O ataque do Douglas da BOAC é considerado pelo governo de Londres um «crime de guerra» e a morte de Howard é sentida como uma tragédia nacional.
Não houve mais aviões comerciais (da carreira de Lisboa) abatidos durante a guerra.

Em: O Diário Secreto que Salazar não Leu, Rui Araújo, Oficina do Livro

Mussolini - Espião ao serviço de Inglaterra


Mussolini foi um espião inglês durante a I Guerra Mundial

«O ditador italiano Benito Mussolini foi um agente secreto inglês antes de ter fundado o regime fascista que lutaria contra os exércitos do Reino Unido durante a II Guerra Mundial, revelou o diário britânico Guardian.

Um historiador de Cambridge, Peter Martland, descobriu nos arquivos britânicos documentos que provam que em 1917 Benito Mussolini foi pago pelo MI5, os serviços secretos de Londres, para escrever artigos a favor da continuação da Itália na I Guerra Mundial ao lado dos aliados e atacar manifestantes pacifistas.

Mussolini, então um jornalista de 34 anos, editava o jornal "Il Popolo d’ Italia" e controlava grupos de antigos veteranos do exército, que atacavam manifestações contra a presença italiana na guerra em Milão.

“Depois da Rússia revolucionária ter saído do conflito, a Itália era o aliado mais falível dos britânicos no conflito. Mussolini recebeu uma soma de cem libras por semana a partir do Outono de 1917 durante pelo menos um ano para manter a campanha pró-guerra – uma verba equivalente a seis mil libras hoje (cerca de 6400 euros)”, disse Peter Martland ao Guardian.

“A última coisa que a Grã-Bretanha queria eram manifestações a favor da paz e greves que parassem as fábricas de armamento em Milão. Era muito dinheiro para um jornalista naquela época, mas comparado com o esforço financeiro britânico – quatro milhões de libras diários – eram apenas trocos”, acrescentou.

O caso já fora mencionado em 1954 nas memórias de Sir Samuel Hoare, o agente do MI5 que recrutou Mussolini, mas esta foi a primeira vez que foram encontradas provas documentais, como os pagamentos feitos ao ditador italiano.»

Fonte: Público

12 outubro 2009

General Fernando Tamagnini

Fernando Tamagnini de Abreu e Silva (1856-1924)

Comandante do CEP


Nasceu em Tomar a 13 de Maio de 1856 e faleceu, em Lisboa, a 24 de Novembro de 1924. Oficial da arma de Cavalaria foi o general escolhido para comandar a Divisão de Instrução mobilizada em Tancos e o Corpo Expedicionário Português (CEP) constituído e enviado para França, em 1917, para apoiar os Aliados na guerra contra a Alemanha. Alguns meses depois da batalha de La Lys (9 de Abril de 1918), em que o CEP foi destroçado por uma poderosa ofensiva alemã, foi substituído, em 25 de Agosto, no comando daquele Corpo pelo general Garcia Rosado.


A primeira proclamação do General Tamagnini ás tropas Portuguesas em França



Serviço da Republica
______

Corpo Expedicionario Portuguez

Soldados!


Ao assumir, em França, o Comando do Corpo Expedicionario Portuguez, com que o governo da Republica Portugueza me honrou, saúdo-vos, cheio de entusiasmo, expressando-vos o meu desvanecido orgulho por vos comandar.

Tenho a certeza de que, na luta em que vamos entrar para a defeza do Direito da Liberdade, e da nossa propria Honra, pelos nossos inimigos ultrajada sabereis revelar todo o conjunto de qualidades e sentimentos, que, em todas as epocas, distinguiram os soldados de Portugal.

Tenho a maior fé de que regressareis ás vossas terras, ao seio das vossas familias, com a consciencia do dever cumprido, depois de aqui terdes, ao lado dos valoros exercitos Britanico e Francez, vingado os nossos irmãos da afronta recebida em terras d'Africa e honrado a nossa querida Patria, em cuja bandeira se contemplam as imorredouras quinas, até hoje cobertas de gloria em todas as partes do Mundo.
Ao enviar-vos a minha saudação, sei que dentro de vossos peitos palpita, como no meu, o mesmo entusiasmo fervoroso pela vitória dos Aliados, que é a vitoria da nossa propria Causa, e que comigo repetireis:

Vivam os Aliádos! Viva Portugal! Viva o Exercito Portuguez!

Fernando Tamagnini
General


Bibliografia:

| História da I República | Biografias | Biografias | TAMAGNINI de ABREU e SILVA, Fernando (1856-1924)

PORTUGAL NA GUERRA - Revista Quinzenal Ilustrada nº 1 - 1 de Junho de 1917

Blog: Ilustração Portuguesa