16 novembro 2009

Alves dos Reis


Artur Virgílio Alves dos Reis nasceu em 1896, em Lisboa, no seio de uma família modesta. Ainda começou um curso de Engenharia, mas não passou para além do 1.º ano, devido ao casamento com Maria Luísa Jacobetty de Azevedo, em 1916, facto que o livrou da mobilização para a Primeira Guerra Mundial. Nesse mesmo ano parte para Angola, onde trabalhará nas Obras Públicas, chegando a ser inspector. Foi também director dos Caminhos de Ferro naquela colónia. Este cargo foi obtido a partir da sua primeira burla conhecida, quando forjou um diploma de Engenharia pretensamente obtido em Oxford, com capacidades para gestão industrial e financeira. A partir de 1919, Alves dos Reis dedicou-se ao comércio de produtos entre a colónia e a metrópole, sempre com golpes e ilegalidades. Acumulou algum capital, regressando a Lisboa em 1922, onde criou a firma Alves dos Reis, Ldª. Investiu também numa empresa mineira em Angola, assumindo-se cada vez mais como um grande empresário.

No entanto, tanto Portugal como a sua colónia de Angola, sentiam de forma profunda a grave crise económica europeia resultante da Grande Guerra. Alves dos Reis ressentiu-se imenso dessa situação difícil, embora tenha encontrado maneiras de a superar. Como sempre alimentara o sonho angolano, acreditava firmemente que seria aquela colónia a sua rampa de lançamento para negócios em maior escala, fosse de que maneira fosse. Assim, virou-se para a Ambaca, empresa ferroviária estatal de Angola, a qual queria controlar através da posse da maior parte das suas acções. Estas, conseguiu-as adquirir através de uma nova fraude, um cheque sem cobertura do National City Bank, de Nova Iorque, onde tinha conta. Alves dos reis pretendia vender as acções a um preço mais alto antes do cheque chegar ao seu destinatário. O principal comprador que Alves dos Reis tinha em vista era Norton de Matos, comissário-geral de Angola. Mas o negócio não se concretizou, e Alves dos Reis foi arrastado para os tribunais, com um processo judicial que lhe valeria uma detenção na prisão, entre 5 de Julho e 27 de Agosto de 1924, data do julgamento. Foi absolvido da acusação de desvio de fundos, mas culpado da emissão de um cheque sem cobertura.

Em 1925, todavia, Alves dos Reis entraria na história de Portugal como o seu maior burlão, a partir de uma gigantesca operação de fraude financeira. Nesse ano, Alves dos Reis montara um plano para criação de um banco - o Banco Angola e Metrópole - através da obtenção de fundos de que não dispunha. Formara uma equipa de especialistas: José dos Santos Bandeira, vigarista e irmão do embaixador português na Holanda; Karel Ysselveere, negociante holandês; Adolf Hennies, alemão, também negociante, profundo conhecedor dos meandros da diplomacia internacional. Então, Alves dos Reis, em Inglaterra, mandou imprimir 580 000 notas de 500 escudos, fingindo-se de governador do Banco de Portugal, para além de ter falsificado uma chapa de nota, documentos e credenciais várias. Utilizou ainda as matrizes e serviços da empresa inglesa Waterlow & Sons, Ltd, a qual executava a impressão das referidas notas. Através de Ysselveere, obteve do administrador da empresa inglesa o reconhecimento da autenticidade de dois contratos, pelos quais o Banco de Portugal autorizava o governo de Angola a emitir 580 000 notas de 500 escudos (290 000 000 de escudos/1 446 514 de euros), ficando Alves dos Reis encarregado de tratar do negócio. Assim, Ysselveere recebeu da Waterlow, em Fevereiro de 1925, a primeira parte das notas. José Bandeira, através da embaixada portuguesa em Haia, fez chegar a Portugal esse primeira parte da encomenda. As restantes remessas foram chegando ao País, suscitando então desconfianças nos meios financeiros, perante tantas notas em circulação. Contudo, as investigações do Banco de Portugal nada clarificaram, desmentindo mesmo a existência de dinheiro falso.

Alves dos reis pretendia com toda esta fraude gigantesca fundar o Banco Angola e Metrópole, para investir em Angola e, posteriormente, tentar controlar a maioria das acções do Banco de Portugal, situação que esteve prestes a conseguir. Entretanto, a burla foi descoberta, estando Alves dos Reis em Angola. A bordo de um navio alemão, foi preso a 5 de Dezembro de 1925, acusado de falsificação de notas. Foi aberto um processo judicial, que se prolongou até 30 de Junho 1930, quando foi condenado a 20 anos de prisão. Manteve-se encarcerado na Penitenciária de Lisboa até 1945, sofrendo a pena mais pesada do grupo de falsificadores por ele dirigido, em que se incluía a sua mulher.
A justiça condenou Alves dos Reis, mas o povo absolveu-o desde o início do processo. Era uma figura conhecida do grande público, um indivíduo elegante e vaidoso, considerado por muitos um génio, um aventureiro romântico, um homem capaz das mais impensáveis artimanhas para alcançar fortuna e notoriedade, até alguém capaz de salvar o País do seu estado depauperado. A fraude que organizara teve repercussões em todo o País e em muitas figuras públicas e do governo, levando algumas a tribunal e mesmo à prisão, como o governador e o director do Banco de Portugal. O governo foi ridicularizado e contestado pela opinião pública durante o processo, que arrastou inúmeras personalidades para a ignomínia e para as "ruas da amargura".
Mas mesmo depois da maior fraude da história portuguesa, este campeão das ilegalidades voltou a reincidir, quando a 12 de Fevereiro de 1952, sete anos depois de sair da prisão, burlou em 60 mil escudos (299.27 euros) um negociante de Lisboa, a quem prometera 6 400 arrobas de café angolano, inexistentes. Em 1955 foi condenado a quatro anos de prisão, pena que não chegou a cumprir, pois morreu em 9 de Julho desse ano, na pobreza e no esquecimento geral.

Em: Alves dos Reis. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-11-16].

12 novembro 2009

O Fim da Linha



Esta imagem está gravada na mente da humanidade como a porta de entrada para o horror.
O campo de concentração de Birkenau, também conhecido como Auschwitz II era o "fim da linha" dos prisioneiros, muitos deles eram seleccionados para a morte passados apenas 2 horas após a sua chegada.


Por todo o mundo, Auschwitz tornou-se um símbolo de terror, genocídio e do Holocausto em si. Foi criado pelos alemães em 1940, nos subúrbios de Oswiecim, uma cidade polaca que foi anexada ao Terceiro Reich pelos nazis. O seu nome foi mudado para Auschwitz.

A razão directa para a criação do campo foi o facto de que as prisões em massa de polacos estavam aumentando além da capacidade dos já existentes "locais" nas prisões. Inicialmente, Auschwitz era para ser mais um campo de concentração nos moldes que os nazis haviam criado os seus campos desde 1930. Funcionou neste papel ao longo da sua existência, mesmo quando, a partir de 1942, este também se tornou o maior dos campos de extermínio.

10 novembro 2009

Cartoons - Guerra Fria



















Fonte: National Library of Wales

08 novembro 2009

Sublevação das Caldas da Rainha

«Pela Secretaria de Estado da Informação e Turismo foi distribuída a seguinte nota:

"Na madrugada de sexta-feira para sábado alguns oficiais em serviço no Regimento de Infantaria 5, aquartelado nas Caldas da Rainha, capitaneados por outros que nele se introduziram, insobordinaram-se, prendendo o comandante, o segundo-comandante e três majores e fazendo em seguida sair uma companhia autotransportada que tomou a direcção de Lisboa.

O Governo tinha já conhecimento de que se preparava um movimento de caracteristicas e finalidades mal definidas, e fácil foi verificar que as tentativas realizadas por alguns elementos para sublevar outras unidades não tinham tido êxito.
Para interceptar a marcha da coluna vinda das caldas foram imediatamente colocadas á entrada de Lisboa forças de Artilharia 1, de Cavalaria 7 e da G.N.R..
Ao chegar perto do local onde estas forças estavam dispostas, e verificando que na cidade não tinha qualquer apoio, a coluna rebelde inverteu marcha e regressou ao quartel das Caldas da Rainha, que foi imediatamente cercado por unidades da Região Militar de Tomar.

Após terem recebido a intimação para se entregarem, os oficiais insubordinados renderam-se sem resistência, tendo imediatamente o quartel sido ocupado pelas forças fiéis, e restabelecendo-se logo o comando legítimo.
Reina a ordem em todo país."

"Os acontecimentos da sublevação

Cerca de 300 homens, deslocando-se em quinze viaturas, deixaram pelas 5 horas da madrugada de ontem o Regimento de Infantaria nº 5 nas Caldas da Rainha.
Comandavam-nos oficiais daquela unidade que momentos antes, haviam dominado o comandante, 2º comandante e três majores de guarnição.
A coluna avançou sobre Lisboa, passando por Santarém. Em Alverca, forças da G.N.R. e do Governo Militar em Lisboa barravam-lhe a passagem. A coluna retrocedeu, então, para o quartel, onde se verificou que faltava uma das viaturas, que se terá perdido na serra de Montejunto.
Às Caldas chegou, cerca das 13 horas, uma força militar autotransportada, sob o comando do 2º comandante da Região Militar de Tomar, sr. brigadeiro Pedro Serrano. Cercado o quartel, foram as forças rebeldes intimadas render-se.
Dado um prazo aos sitiados para se rendem, estes aceitaram a rendição passados cerca de 10 minutos, tendo os respectivos termos sido objecto de conversações até cerca das 21 horas.
Vários oficiais foram detidos e, ao que se supõe, levados sob prisão para Lisboa.
Continuava, entretanto, a desconhecer-se o paradeiro da viatura e do pelotão desaparecidos no regresso no quartel.
Entretanto, às sete horas da manhã na Estrada Nacional nº 1 tinham sido montados numerosos dispositivos de segurança com unidades do Exército, da G.N.R., da P.S.P. e da D.G.S. Vários sentidos de trânsito tiveram que ser desviados. Esta situação causou graves transtornos na circulação automóvel e, como é de calcular; interrogações das populações.
Em Lisboa, aviões e helicópteros da Força Aérea sobrevoaram a cidade, tomando indicações e posições. A cidade, por volta das 19 horas, estava, porém, mais calma".»

Em: Jornal de Notícias, de 17 de Março de 1974