05 janeiro 2010

Os Aliados e Auschwitz

Fotos&Factos

«Fotografias aéreas de Auschwitz, tiradas pelas Forças Aéreas Aliadas durante a Segunda Guerra Mundial foram expostas pela primeira vez em 1978 por Dino Brugioni e Robert Poirier, dois analistas fotográficos, que trabalharam para a CIA.

As Forças Aéreas Aliadas vieram para a área de Auschwitz por causa da importante indústria bélica localizada na região da Alta Silésia (território polaco, que foi anexado ao Terceiro Reich em 1939).
No início de 1944, houve relatos de inteligência de um depósito de combustível gigante e de uma fábrica de borracha artificial em Monowitz. A 4 de abril de 1944, um avião Mosquito do Esquadrão de Reconhecimento da Força Aérea voou para fora de Foggia, base no sul de Itália para fotografar a fábrica. Era a fábrica IG Farben, a apenas escassos 4 km de Birkenau. De modo a assegurar a cobertura completa do alvo, era prática comum iniciar a câmera antes do tempo, e pará-la um pouco depois. Como resultado, o campo de Auschwitz foi fotografado pela primeira vez.


Durante esse mesmo período, os aliados tinham começado a planear um ataque global sobre a indústria de combustíveis alemã, e a fábrica Monowitz estava no topo da lista de alvos. A 31 de Maio, um segundo avião foi enviado para a área. Desta vez, ele levou mais três fotografias de Birkenau a uma altitude de 26.000 pés, contudo analistas fotográficos não identificam o campo.


Por várias razões operacionais, o bombardeio da fábrica de Monowitz foi adiado, mas as forças aéreas aliadas continuaram a reunir informações de inteligência sobre esta fábrica e as outras instalações na área. Um outro avião Mosquito fotografou a fábrica e partes do complexo do campo a 26 de Junho, 25 de Agosto e 8 de Setembro.

Na primeira missão de bombardeio da fábrica de Monowitz a 20 de Agosto, a fábrica foi danificada, mas não foi destruída. A segunda missão de bombardeio foi realizado a 13 de Setembro, e as fotografias tiradas durante o bombardeio de B's-24 incluem uma fotografia que mostra bombas caindo sobre Birkenau. Posteriormente, foram realizadas mais saídas para estimar os danos causados, e o "progresso de reparação" feito pelos alemães.Outros aviões de reconhecimento fotográfico sobrevoaram a área de Auschwitz a 29 de Novembro, 21 de Dezembro e, finalmente, a 14 de Janeiro de 1945 - apenas duas semanas antes da libertação do campo pelo Exército soviético.»


Explicações

O que é que os aliados sabiam? Podiam ter feito alguma coisa antes de 45?
[ Ian Kershaw, professor da Universidade de Sheffield]


«É difícil definir exactamente o que sabiam os soldados aliados. Presume-se que os nomes dos campos da morte, incluindo Auschwitz-Birkenau, não eram familiares para a grande maioria deles. O choque dos soldados do Exército Vermelho no momento da libertação de Auschwitz, ou dos americanos na libertação de Dachau (um campo de concentração e não de extermínio), e dos britânicos quando chegaram a Bergen-Belsen (que também não era um campo de extermínio) foi enorme. Não estavam preparados para o que encontraram. No entanto, os governos aliados sabiam do genocídio desde 1942 e a BBC tinha divulgado notícias sobre experiências com gás no final de 1943. Informações sobre os assassínios sistemáticos em Auschwitz chegaram ao Congresso Judaico Mundial em 1944 e foram transmitidas aos governos aliados. No Verão de 1944 os americanos tiraram fotos aéreas de Auschwitz. Mas estavam mais interessados em bombardear o complexo industrial em Monowitz, nas proximidades, e parecem não se ter apercebido dos locais de extermínio em Birkenau. Há dúvidas sobre se os aviões aliados teriam capacidade para lançar os repetidos ataques de precisão necessários para inutilizar a linha de comboio para Auschwitz. De qualquer forma, eles decidiram que a melhor maneira de acabar com as perseguições aos judeus era acabar com a guerra o mais depressa possível.»



«Se tivesse sido publicada no momento em que foi tirada, às 11 horas do dia 23 de Agosto de 1944, enquanto os judeus húngaros estavam a ser massacrados lá em baixo, esta foto tridimensional – agora trazida à tona por uma máquina do tempo – poderia ter salvado centenas de milhares de vítimas", notou o jornal britânico The Guardian.
A foto foi tirada pelo piloto de um avião de reconhecimento da Força Aérea Britânica que sobrevoou a Polónia numa fase em que os alemães, sabendo que estavam com os dias contados, intensificaram o ritmo do extermínio em Auschwitz. Os detalhes são tão claros, que uma foto até mostra mesmo prisioneiros enfileirando-se para uma inspecção no campo de concentração.


O historiador alemão Hans-Ulrich Wehler, professor da Universidade de Harvard citado na edição de segunda-feira do diário popular alemão Bild, indica que Londres ficou a saber dos campos de concentração nazis o mais tardar em 1943. Do site do Memorial do Holocausto nos EUA, que praticamente representa a posição histórica oficial norte-americana, consta que "em 1943, o espião polaco Jan Karski alertou o presidente Franklin Roosevelt sobre notícias de extermínio em massa recebidas por lideres judaicos directamente do gueto de Varsóvia. O aviso não deu seguimento a nenhuma decisão executiva no imediato."

No Outono de 1944, segundo aponta o museu, os Aliados sabiam do extermínio de Auschwitz.O coordenador do arquivo, Allan Williams, justificou que os espiões tiravam as fotos em sequências rapidíssimas, como uma metralhadora, sendo portanto possível que os documentos nunca tenham recebido a atenção merecida. "É fascinante pensar por que quem tirou as fotos não sabia o que estava a acontecer", acrescentou Williams, conjecturando: "Acho que, como tinham ordens de observar estritamente dados militares, provavelmente nem tinham tempo de pensar no que estava a acontecer".»


Bibliografia:


Fotos: aéreas de Auschwitz por ordem cronológica (31 de Maio, 26 Junho, 25 Agosto, 13 Setembro e 12 de Dezembro, 1944) - Museu Yad Vashem

Público - Dossier Auschwitz - Entrevista com Ian Kershaw -"Sem a visão apocalíptica de Hitler a 'solução final' é impensável", Por Alexandra Prado Coelho, 03.02.2005

Deutsche Welle

Museu Yad Vashem


03 janeiro 2010

O Album de Auschwitz


O Álbum de Auschwitz é a única prova visual do processo de extermínio em massa dos campos de concentração de Auschwitz-Birkenau. É um documento único e foi doado ao Museu Yad Vashem (Autoridade de Recordação dos Mártires e Heróis do Holocausto) por Lilly Jacob-Zelmanovic Meier (sobrevivente a Auschwitz) .

As fotos foram tiradas no final de Maio ou inícios de Junho de 1944, por Ernst Hofmann, ou por Bernhard Walter, dois homens das SS, cuja tarefa era tirar fotos de identificação e impressões digitais dos detidos para os trabalhos forçados (e não dos judeus que eram enviados directamente para as câmaras de gás).

As fotos mostram a chegada de judeus húngaros. Muitos deles vieram do Gueto Berehovo, que em si, foi um ponto de recolha para os judeus de várias outras pequenas cidades. No início do verão de 1944 deu-se em grande escala a deportação de judeus húngaros. Para esse efeito, uma linha ferroviária especial foi criada a partir da estação de Caminhos-de-Ferro fora do campo para uma rampa dentro de Auschwitz. Muitas das fotos do álbum foram tiradas nessa respectiva rampa. Ai os judeus passaram por um processo de selecção, realizado por médicos das SS e por guardas. Aqueles considerados aptos para o trabalho foram enviados para o campo, onde foram registrados, despojados de bens pessoais e distribuídos pelas casernas. O resto foram enviados para as câmaras de gás. Foram então gaseados num inofensivo banho, tendo os seus corpos sido cremados e as cinzas espalhadas num pântano próximo.

As fotos do álbum mostram todo o processo, excepto o assassínio em si.

O objectivo do álbum é obscuro. Não se destinava a fins de propaganda, nem tem qualquer utilidade óbvia pessoal. Presume-se que foi elaborado como uma referência oficial de uma autoridade superior, assim como os álbuns de fotos de outros campos de concentração.
O álbum foi importante nos julgamentos de Auschwitz em Frankfurt, durante a década de 1960. Em 1980 foi doado ao Museu Yad Vashem, sendo restaurado em 1994.

Existem 56 páginas e 193 fotos no álbum. Algumas das imagens originais, presumivelmente aquelas dadas aos sobreviventes que tinham familiares identificados nas fotografias, estão em falta. Uma dessas fotos foi recentemente doada ao Museu Yad Vashem.



Bibliografia:



15 dezembro 2009

Desenhos do Livro: "I was there" with the Yanks in France.

“I WAS THERE”

WITH THE YANKS
ON THE WESTERN FRONT
1917-1919

BY C. LEROY BALDRIDGE
PVT. A. E. F.

(extractos do livro/clicar para ampliar )




















Desenhos Fantásticos!

Em: The Project Gutenberg
Livro completo, aqui!

Açores na Segunda Guerra Mundial

foto: primórdios da base das lajes, 1944

Durante a Segunda Guerra Mundial, Salazar através de longas negociações, cedeu as bases dos Açores aos Britânicos. Isto representou uma mudança na sua política externa e na sua própria linha de pensamento.

Anteriormente, o Governo Português havia permitido aos U-Boat's e á marinha alemã reabastecimentos na ilha. Este foi um momento decisivo na Batalha do Atlântico, permitindo aos Aliados maior controlo aéreo do Atlântico. Isso ajudou-os imenso na protecção dos seus comboios, e na caça aos submarinos alemães.

Em 1944, as forças americanas construíram uma pequena base aérea na ilha de Santa Maria. Em 1945, uma nova base foi fundada na ilha Terceira, actualmente é conhecida como Base Aérea das Lajes.

Alemanha, Grã-Bretanha e Estados Unidos tinham todos planos para estabelecer uma base nos Açores.


foto:WALRUS descolando, para uma missão de patrulha apartir da nova base nos Açores

Lajes

Com o avanço de Hitler o Governo Português viu na neutralidade a sua melhor linha de defesa contra a Alemanha. No entanto, em 1941, Portugal reconheceu os perigos dos Açores caírem nas mãos dos alemães, ampliando assim a pista e enviando tropas e equipamentos adicionais para as Lajes, incluindo aviões Gladiator. Declara-se então que a base será capaz de uma defesa aérea em 11 de Julho de 1941.

No início da guerra, as Potências Aliadas do Reino Unido e dos Estados Unidos reconheceram o potencial de operar a partir dos Açores. Com o caos dos ataques dos U-Boats aos transportes transatlânticos, o Reino Unido reconheceu a necessidade de realizar operações nos Açores. Com a entrada dos E.U. A. na guerra, estes procuravam o meio mais rápido de transportar homens e material para a África do Norte e Europa. Os Açores ofereceram essa oportunidade. No entanto, o governo Português manteve-se neutro.

Sob um acordo assinado em 17 de Agosto de 1943, António de Oliveira Salazar, presidente do Conselho de Ministros Português, aceitou o pedido britânico de direitos de basear "em nome da aliança que já existia há mais de 600 anos entre Portugal e o Reino Unido. " Aos britânicos foram dadas a utilização dos portos açorianos da Horta, na ilha do Faial, e Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, e nos aeródromos do Campo Lajes na ilha Terceira e Campo de Santana na Ilha de São Miguel.

A 8 de Outubro de 1943, os ingleses desembarcaram em Angra e descarregaram ai equipamentos e material, transportado-os sobre uma estrada estreita numa distância aproximada de 11 quilómetros para a que viria a ser conhecida como Base Aérea das Lajes. Desenvolveram então uma serie de estruturas para que permitisse que aviões pesados aterrassem.

Após duas semanas do desembarque, bombardeiros britânicos (Hudsons, Lancasters,Yorks, e Wellingtons) começaram a operar apartir dos Açores num raio de 500 milhas na caça dos submarinos alemães.

O primeiro U-Boat foi abatido (através dos Açores) a 9 de Novembro de 1943 apenas um mês depois de as forças britânicas chegaram á Base das Lajes. As contribuições dos Açores e dos três esquadrões anti-submarino britânico nas Lajes foi um dos pontos de viragem na Batalha do Atlântico em 1943.

Em 1942, 5.480.000 toneladas de diversas mercadorias tinham sido perdidas no Atlântico Norte. No último trimestre de 1943 com as operações britânicas apartir das Lajes, apenas 146.000 toneladas se perderam. Através dos Açores foram afundados 53 submarinos entre outros que bateram em retirada para longe dos Comboios Aliados. A Batalha do Atlântico estava praticamente concluída.

Operação Lifebelt (cinto de segurança)

Visava a ocupação dos Açores a curto prazo. Sob a liderança britânica, forças conjuntas Inglesas e Americanas iriam tomar as ilhas. Nesta fase, Churchill já perdeu a paciência com Salazar, e embora dê sempre primazia aos meios diplomáticos, o chefe de Estado inglês comunica ao seu gabinete de guerra que pessoalmente, estou preparado, se os E. U. se juntarem a nós (...) não só para abordar os portugueses, mas também para fazer-lhes saber, se eles nos criarem dificuldades, que nós tencionamos apoderar-nos dessas ilhas (...) e esperamos que isso possa ser feito sem derramamento de sangue. Seria mais fácil para eles renderem-se, sob protesto, (...) mesmo indo tão longe como cortarem relações diplomáticas connosco, do que serem coniventes ou admitirem abertamente uma tal violação da sua neutralidade.

Apesar de se estar bem ciente da importância estratégica das ilhas dos Açores, localizadas quase no meio do Atlântico, há ainda muitas historias por contar e descobrir sobre o seu importante papel na Segunda Guerra Mundial.


Bibliografia:
Base das Lajes
Segunda Grande Guerra, A Questão dos Açores
History of Azores During World War II
Operation Alacrity
The 801 st Engineer Aviation Battalion
World Naval Ships Forums