14 junho 2010

Feira dos 16 - Cepelos

[1.]

A Feira Nova da Pontinha

A feira tem de viver
Essa vos afirmo eu,
Tu nunca verás morrer,
Se morrer vai para o céu:
Foi baptizada ao nascer
Pelo Bispo D. Romeu.

Foi nascido na Pontinha
Uma criança alentada
A mãe só comeu galinha,
Noves meses que andou pejada...
Nasceu gorda, muito linda,
Por ali não falta nada...

Vi na Feria da Pontinha
Panos de todas as cores,
Veio a polícia cá acima,
E guardas e doutores,
Todos a ver a criancinha
E a mãe a gritar com dores...

Na feira cinco pensões
P'ra servir toda a gente:
Com pratos em condições,
Pró freguês sair contente
Mas que grandes refeições
De postas e arroz quente.

A feira ganhou raiz
Há dois dias plantada
E todo o povo já diz:
Temos feira ao pé de casa.
Os que têm maior nariz,
Cheiram a maior pitada...

Uma velha de Vilar
Faz a sua propaganda.
Diz: - P'ra vender e comprar
Não preciso ir á Gandra!...
Do que a gente precisar,
Temos de tudo, caramba!...

Na Pontinha, grande centro,
Vão ser feitas grandes obras
Pelos homens de talento,
São estas as grandes provas;
E daqui por pouco tempo
Não faltarão casas novas.

Manuel José Brandão,
A vender mercearia,
E Manuel Pedro, de Gatão,
Encheram-se nesse dia;
Fizeram um negocião
Por terem do melhor qu'havia.

Até o Senhor Ferreira
Fez negócio excelente,
Comprando ovos na feira,
- E comprava a toda a gente -
E não esvaziou a carteira
Porque a trazia quente...

O Senhor Padre Correia
Também pôs uma pensão.
Tinha sempre a sala cheia
P'ra tomar a refeição
E vinho do que "alumeia"
do melhor da Região.

Na feira havia de tudo
Na sua inauguração
E houve negócio taludo.
Só à noite faltou pão;
Mas os padeiros d'Ul
P'ra Fevereiro já cá estão.

De Rôge e de Macieira
De Junqueira e de Arões
Vêm todos á nova feira
Fazer suas transações.
Vêm da Serra e da Ribeira
De Cambra e de Castelões.

O Senhor Paiva lá estava
E o Senhor Padre Correia,
Que queriam ver livre a estrada
P'ra dar passagem à carreira,
Que vinha sempre carregada
De povo p'ra nova feira.

Viva Cepelos de Cambra!
Viva o velho da semente!
De Junqueira viva a banda
Que agradou a toda a gente!
As velhas dançam o samba
Se for que a feira se aguente.

Da autoria de Albino Filipe Pereira da Póvoa de Junqueira, em 20/01/1954, em estilo de conversa.[2.]


Feira dos 16


Inauguração: Conta-nos o Jornal de Cambra, passados quatro dias da inauguração da Feira dos 16 o seguinte:

«Foi invulgar e imprevisto acontecimento nesta freguesia, a inauguração no dia 16 da nova Feira da Pontinha. O sucesso da sua realização ultrapassou tudo quanto imaginariamente era de esperar, mesmo pelas pessoas mais otimistas.(...) Não obstante o largo espaço que ocupava a nova feira, do alto do Cruzeiro á Regadas e da igreja paroquial á residência de Manuel Fernandes de Almeida, todo terreno foi pouco para conter o grande numero de pessoas que naquele local se reuniram, uns para fazer o seu negócio, outros por simples curiosidade.
Fizeram-se na nova feira boas e numerosas transações, especialmente em gado, tanto bovino como suino, vacum, etc. O mercado de mercearia, ferragens, calçado, chapéus e ourivesaria também esteve muito animado. Fazendas e miudezas talves fossem aquelas que menos se venderam devido ao grande numero de concorrentes (...)
Foi excessiva a frequência nas casas de ''comes e bebes". Estiveram sempre á cunha a casa Prata, onde se apreciavam os saborosos rojões e o delecioso vinho de Paiva, a casa Armindo de Pina, a casa Amarela, de Manuel Gonçalves de Sousa, a casa Emídio Dias de Sousa e a casa David Gonçalves de Sousa e Maria Natália, onde se vendia o famoso vinho Zagaia, da Quinta de Vila Nova, propriedade de Adelino Tavares Russo.
A Banda Junqueirense deu entrada no recinto da feira pelas 12 horas executando, com pleno agrado dos ouvintes, durante a tarde, alguns dos melhores números do seu vasto reportório que foram muito apreciados pelos amadores da boa música.
E, para nada faltar até os carteiristas, cuja actuação, por certo, ninguém previa na nova feira, fizeram um bom S. Miguel...
Espera-se que a próxima feira dos 16 de Fevereiro não seja nada inferior á primeira feira de Janeiro.» [3.]

[...] a feira mensal dos 16, a nova feira de Cepelos, no lugar da Pontinha, que em princípios de 1954, foi inaugurada para dar apoio à parte interior/serrana do concelho e tinha duas secções:

1) no Largo das Presas e na Estrada para Gatão, organizavam-se as tendas de venda de mercearia e outros produtos de Feira / Marcado, da época;
2) no Largo por trás do Posto do Leite, realizava-se a Feira do Gado, muitíssimo concorrida pelos, na sua maioria, pobres lavradores da região, a ver se faziam algum dinheiro com a venda de gado, e pelos negociantes de gado, muito «lestos» e espertos a (se) aproveitar da ocasião.

Atingiu alguma notoriedade durante alguns anos nas transacções de géneros alimentícios e gado bovino. [4.]







Publicidade á feira da Pontinha
FEIRA DA PONTINHA
lugar da Pontinha
Feira de Gado Bovino, Suíno, Ovino, Caprino e Cavalar
mercado de frutas, aves e ovos, panos, fazendas e miudezas, ferragens e utensílios domésticos,
peixe, géneros alimentícios, e todos os produtos agrícolas.

POVO do Concelho de Vale de Cambra e Concelhos circunvizinhos!
No vosso próprio interesse vinde até Cepelos, onde com economia de tempo e de dinheiro, encontrareis tudo o que vos é preciso!
Comprar e Vender, eis a ordem.
Á Pontinha, todos os dias 16![5.]

A feira por volta de meados da década de 80 já não se realizava, realizou-se porém na década de 90 e 00 algumas reedições da feira, sendo estas apenas simbólicas, não tendo a dimensão das de outrora.


Fontes:
[1.] Fotos: Arquivo Municipal de Vale de Cambra
[2.] In: Vale de Cambra, meio século de imagens, Vol.II-Transportes, Indústria e Comércio - Fotografias da Família Sousa, Maria da Graça Gaspar Mendes de Pinho da Cruz
[3.] O Jornal de Cambra, 30-01-1954
[4.] Vale de Cambra, meio século de imagens, Vol.II-Transportes, Indústria e Comércio - Fotografias da Família Sousa, Maria da Graça Gaspar Mendes de Pinho da Cruz, e, Tabelião de Cepelos, etc. saga dos 'Alcouces', Barreiros & Compª Lda.
[5.] Ecos do Povo, nº5

11 junho 2010

Monumento aos Mortos da Grande Guerra - Oliveira de Azeméis


Está situado no Jardim Público de Oliveira de Azeméis, tendo sido construído em 1930 sob a égide do escultor Henrique Moreira e do canteiro António Resende e que na sua imponência destaca, entre as Batalhas do século XX, a de La Lys, onde a 09 de Abril de 1918 o solo da Flandres ficou empapado pelo sangue de 7500 portugueses. Esta batalha foi o início da vitória dos aliados.

Foto: Miguel Barreiro
Texto: Liga dos Combatentes

26 maio 2010

Cartazes - Primeira Guerra Mundial

(clicar para ampliar)
A guerra de munições, como a Grã-Bretanha mobilisou as sua industrias.
Cartaz de produção britânica em língua portuguesa. - Reprodução litográfica. - BN - 300 Anos do cartaz em Portugal. Lisboa, 1975, nº 193

Primeira Guerra Mundial, 1914-1918--[Cartazes]

Título impresso na margem superior, ilegível, quase totalmente cortado. - Provável propaganda da preparação do C.E.P.. - Data segundo análise iconográfica e entrada de Portugal na I Guerra Mundial. - Impressão litográfica. - BN - 300 Anos do cartaz em Portugal, 1975,, n.º 133, referido com diferente data e sem a conotação acima indicada. - Em grande plano, sobre círculo limitando relvado onde correm dois jogadores sob céu vermelho, jogador de futebol, equipado mas apresentando ligadura num joelho e luva correctora numa mão, prepara-se para chutar a bola; em 2º plano, soldados e marinheiros, em formatura frente a frente, junto a costa onde se procede a desembarque de navio de guerra

Primeira Guerra Mundial, 1914-1918--[Cartazes]

PORTUGUESES, HONREMOS A MEMORIA DOS NOSSOS HEROIS!
- A batalha de La Lys, também conhecida por batalha de Armentières, foi a principal participação portuguesa na 1ª Guerra Mundial.

Primeira Guerra Mundial, 1914-1918--[Cartazes]

Guerra Colonial - Frases

« Pai nosso que estais no Céu:
protegei-nos dos erros da nossa artilharia e da nossa aviação.»

sarcasmo dos soldados portugueses nos primeiros tempos da guerra em Angola

« Só nos faltava mais essa desgraça.»

Salazar, em 1963, quando lhe comunicam que se fez uma grande descoberta subterrânea em Cabinda.

«Vou passar cinco contos a Luanda» (e não «cinco dias»)

assim se dizia nas matas, a permanência de licença na cidade durava enquanto o dinheiro dura-se

«... porque uma camioneta era mais necessária e mais cara do que um homem um filho faz-se em cinco minutos e de graça não é verdade uma viatura demora semanas a atarraxar parafusos...»

«... prezado doutor Salazar se você estivesse vivo e aqui enfiava-lhe uma granada sem cavilha...»

António Lobo Antunes, Os Cus de Judas

« Vinha-mos nas calmas, meus netos, subindo a rampa, a seguir á ponte, assim meio adormecidos numa guerra onde nunca nos tinha acontecido nada, porque naqueles tempos as guerras eram assim, nunca nada acontecera e tudo acontecia de repente.»

João de Melo, Autópsia de um mar de ruínas

In: Os anos da Guerra 1961-1975, os Portugueses em África, Org: João de Melo.