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01 junho 2012

Escola de Cepelos

* por Adelino Almeida



A primeira escola funcionou na “Casa do Cartim”, em Paçô, onde hoje deparamos com  novo edifício de habitação do falecido Eduardo Bastos e viúva Leonilde Bastos.


O Professor Aveiro chegou a Paçô em 1889 para ser o primeiro regente da cadeira de Instrução primária da freguesia de Cepelos, do então concelho de Macieira de Cambra. Francisco Cruz Aveiro de seu nome foi natural de Ílhavo onde terá nascido em 1855, vindo a falecer em Paçô, da freguesa de Cepelos, a 5 de Dezembro de 1939.

A freguesia de Cepelos carecia de instalações condignas para funcionamento da Escola e a 26 de Dezembro de 1915 a Junta Paroquial de Cepelos, em sua sessão ordinária pelo seu Presidente Emídio Dias de Sousa “foi declarado que tendo esta freguesia  sido dotada com um subsídio de mil escudos, para a construção duma casa de escola, como se vê no Diário de Governo de 25 de Outubro deste ano e sendo esta paróquia muito pobre não pode concorrer para a construção da escola, senão com madeiras e construção de pedras, por isso propunha à Sr.ª Junta que se comunicasse ao Ex. m.º Ministro da Instrução, a fim de ele autorizar a construção do referido edifício apenas com aquele auxílio da Junta...”

A Junta de Freguesia concorda com a proposta do seu Presidente, reafirmando a necessidade e pertinência do melhoramento, informando já ter remetido ao Ministério da Instrução o respetivo projeto.
A 25 de Janeiro de 1916 o Presidente apresenta o projeto e a aprovação orçamental do Ministério da Instrução, deliberando-se colocar a obra a arrematação no dia 27 de Fevereiro desse ano.

Concorrem Abel de Almeida Martins de Vila Chã e Joaquim Tavares Gonçalves de Vilar de Cepelos, que arremata por 999 escudos e 50 centavos e a quem é entregue a empreitada, o qual vai posteriormente pedindo sucessivos adiamento de prazo de entrega arrastando a obra até ao início da década de vinte a que não é estranho o fenómeno da I guerra mundial. De permeio a Junta de Freguesia recebe mais 500 escudos do Governo para ajudar às despesas da construção.

É o Professor Francisco Cruz Aveiro que toma posse na nova escola mista de Cepelos, aposentando-se em 1926, pese embora ter continuado a dar aulas particulares e grátis a muitos estudantes na sua casa em Paçô, vendo o seu nome justamente inscrito na toponímia do lugar.

Muitos foram outros os alunos, docentes e funcionários nesta escola, mas marcante pelas boas e más razões, foi a Professora Maria da Costa Macedo, natural de Póvoa de Lanhoso que durante décadas habitou a parte do edifício reservado ao professor titular. Foi casada com Armando Albergaria, ajudante de Notário, sendo ambos assinalados como opositores ao regime político, tendo mesmo ele sido afastado das suas funções.

O casal nunca teve filhos o que somado às desconfianças políticas que suscitava lhe exigia um cumprimento rigoroso e dedicado ao ensino o que levou ao extremo de cumprir um horário escolar de sol a sol. Foi professora de muitas e muitas gerações de cepelenses que eram “forçados” a brilhar nas provas de exame da quarta classe. A rotina escolar diária só terminava com a chegada do Sr. Albergaria na camioneta da CP pelas 20 horas.
Todos se lembram:
‑ “Manda-me essas crianças embora!
‑ Lá vem o protector dos animais!”, ‑ retorquia a D. Maria.

O monumental edifício escolar que tanto custou a erguer testemunhou a génese ao seu lado direito de um novo edifício escolar na década de 70 do século passado, enquadrado na arquitectura típica dos “Plano Centenário”, típico do Estado Novo e acolheu ainda durante anos o Jardim-de-Infância de Cepelos.
Na mesma década funcionou em 2 pavilhões pré-fabricados próximos a Escola do Ensino Básico Mediatizado nº 299 de Cepelos que ministrou o segundo ciclo por cerca de década e meia até à sua extinção em 2004.

Sem glória nem memória é demolido na década de oitenta (1988), construindo-se no espaço o Centro Cívico de Cepelos, onde funcionou o Pré-Escolar.
A freguesia de Cepelos dispôs ainda das Escolas Básicas de Vilar, de Tabaçó, Merlães e Irijó e respetivos Jardins-de-Infância, que paulatinamente têm vindo a encerrar frutos das fortes alterações demográficas que entretanto ocorreram no concelho e freguesia. A EB1 de Merlães foi a última a encerrar em 2006.


25 novembro 2010

Casa da Tulha


Enquadramento

Rural, isolado, no interior de recinto murado que limita a E. com EM, para onde tem a fachada principal, e dos outros lados com terrenos agrícolas; no interior do recinto, do lado SO., tem outra casa rural de dois pisos, paredes de granito, em mau estado de conservação; implanta-se na encosta sobranceira ao vale do rio Caima, à entrada do principal núcleo de casas da sede da freguesia.

Descrição

Planta trapezoidal composta por volume único com cobertura em telhado de 3 águas. Alçados de 2 pavimentos em dois dos lados (N. e O.) e de 1 pavimento do lado E., que é o principal, onde o piso inferior adossa ao declive do terreno, e do lado S., onde existe apenas o piso inferior. Paredes de alvenaria de granito. Fachada principal com portal moldurado, de entablamento, cartela sobre a verga da porta e o friso do entablamento, com data ilegível e decorada por motivos de concheado; remate com fogaréus sobre pedestais, decorados numa das faces com florão, que enquadram cruz sobre pedestal, no qual tem esculpidos os signos papais da tiara pontifical sobreposta a duas chaves cruzadas; pano de parede à direita com segundo portal, simples, que partilha degrau com o primeiro; pano de parede à esquerda, recortado superiormente pela empena do telhado e breve recuo no flanco sobre o qual tem outro portal simples. Fachada N. com escada adossada de granito, no primeiro piso, e alpendre com grande arco de volta plena sobre pés-direitos salientes, para onde abre porta moldurada; no piso superior, ao lado esquerdo, tem alpendre sob telhado, com guarda de balaustrada de granito, para onde abrem porta moldurada ladeada de pequena janela; ao outro lado, sobre o arco do piso inferior, abre-se na parede óculo circular moldurado. Alçado O. com vão rectangular ao lado esquerdo do primeiro piso, abrindo para o alpendre, e porta simples ladeada de fresta vertical, junto do flanco da direita; duas janelas no piso superior, de peito e moldurada a que encima o vão rectangular sendo a colocada à direita também moldurada mas de avental e de duas mísulas aos lados. INTERIOR: porta moldurada, com a padieira recortada e enrolamentos aos centro, abrindo para o alpendre do piso superior; neste piso, sala ampla, com janela de conversadeiras, que mostra ter sido anteriormente dividida tendo metade do espaço coberto por tecto artesoado de plano octogonal, com duas séries de caixotões trapezoidais de madeira convergindo ao centro num octogono, enquanto a outra metade exibe tecto simples de madeira; pavimento de soalho; no piso inferior lagar com prensa de madeira.



Cronologia

1760, antes de - construção do corpo original da casa de dois pisos e planta trapezoidal; 1760 - adaptação para dependência do Mosteiro de Arouca como tulha ou celeiro destinada a recolher e guardar os foros das terras da freguesia e que eram foreiras do mosteiro tendo sido ampliado do lado NE. e construído o portal decorado; séc. 19 ou 20 (conjectural) - ampliação do lado SO. para instalação de lagar; 1992 - pedido de classificação como imóvel de valor concelhio ao IPPAR pela Câmara Municipal de Vale de Cambra; 1995 - o proprietário Adelino Soares de Oliveira (Cepelos, Vale de Cambra) propõe à CMVC a compra por 2000 c.; 1996, 22 de Fevereiro - contrato de compra e venda; 1996 - obra de recuperação proposta à ADRIMAG; 1996, 18 de Dezembro - foi aprovado o projecto de obra pela ADRIMAG; 1997, 3 de Junho - parecer do IPPAR; 1997 - abertura do concurso público da obra; 2000, Junho - foi proposta em reunião de Câmara a transformação da Casa da Tulha em anexo da Biblioteca Municipal e em núcleo museológico etnográfico.



Tipologia

Arquitectura civil, barroca. Celeiro e lagar de planta quadrangular, volume único e alçados de 2 pisos com paredes de alvenaria de granito. Alçado principal com portal moldurado, de entablamento, cartela decorada por motivos de concheado e remate com fogaréus que enquadram cruz; no interior, porta moldurada com a padieira recortada e com enrolamentos aos centro, tecto artesoado de plano octogonal com caixotões de madeira e lagar com prensa de madeira.



Características Particulares

Foi dependência do Mosteiro de Arouca enquanto tulha ou celeiro destinada a recolher e guardar os foros das terras da freguesia e que eram foreiras do mosteiro.



Intervenção Realizada

Camara Municipal de Vale de Cambra: 1999, Outubro - início da obra; 2000, Abril - conclusão da obra que inclui a renovação das coberturas (telhado e vigamentos), caixilharias, tectos e soalhos (mantendo-se as madeiras antigas), limpeza e restauro das cantarias e elementos arquitectónicos, renovação da rede eléctrica, construção de uma instalação sanitária e arranjos exteriores.

Fonte: monumentos.pt - Paulo Dordio, 2001

22 setembro 2010

Cepelos - entrega de bens à corporação encarregada do culto













Fonte: Secretaria-Geral do Ministério das Finanças e da Administração Interna > Biblioteca e Arquivo Digital

14 junho 2010

Feira dos 16 - Cepelos

[1.]

A Feira Nova da Pontinha

A feira tem de viver
Essa vos afirmo eu,
Tu nunca verás morrer,
Se morrer vai para o céu:
Foi baptizada ao nascer
Pelo Bispo D. Romeu.

Foi nascido na Pontinha
Uma criança alentada
A mãe só comeu galinha,
Noves meses que andou pejada...
Nasceu gorda, muito linda,
Por ali não falta nada...

Vi na Feria da Pontinha
Panos de todas as cores,
Veio a polícia cá acima,
E guardas e doutores,
Todos a ver a criancinha
E a mãe a gritar com dores...

Na feira cinco pensões
P'ra servir toda a gente:
Com pratos em condições,
Pró freguês sair contente
Mas que grandes refeições
De postas e arroz quente.

A feira ganhou raiz
Há dois dias plantada
E todo o povo já diz:
Temos feira ao pé de casa.
Os que têm maior nariz,
Cheiram a maior pitada...

Uma velha de Vilar
Faz a sua propaganda.
Diz: - P'ra vender e comprar
Não preciso ir á Gandra!...
Do que a gente precisar,
Temos de tudo, caramba!...

Na Pontinha, grande centro,
Vão ser feitas grandes obras
Pelos homens de talento,
São estas as grandes provas;
E daqui por pouco tempo
Não faltarão casas novas.

Manuel José Brandão,
A vender mercearia,
E Manuel Pedro, de Gatão,
Encheram-se nesse dia;
Fizeram um negocião
Por terem do melhor qu'havia.

Até o Senhor Ferreira
Fez negócio excelente,
Comprando ovos na feira,
- E comprava a toda a gente -
E não esvaziou a carteira
Porque a trazia quente...

O Senhor Padre Correia
Também pôs uma pensão.
Tinha sempre a sala cheia
P'ra tomar a refeição
E vinho do que "alumeia"
do melhor da Região.

Na feira havia de tudo
Na sua inauguração
E houve negócio taludo.
Só à noite faltou pão;
Mas os padeiros d'Ul
P'ra Fevereiro já cá estão.

De Rôge e de Macieira
De Junqueira e de Arões
Vêm todos á nova feira
Fazer suas transações.
Vêm da Serra e da Ribeira
De Cambra e de Castelões.

O Senhor Paiva lá estava
E o Senhor Padre Correia,
Que queriam ver livre a estrada
P'ra dar passagem à carreira,
Que vinha sempre carregada
De povo p'ra nova feira.

Viva Cepelos de Cambra!
Viva o velho da semente!
De Junqueira viva a banda
Que agradou a toda a gente!
As velhas dançam o samba
Se for que a feira se aguente.

Da autoria de Albino Filipe Pereira da Póvoa de Junqueira, em 20/01/1954, em estilo de conversa.[2.]


Feira dos 16


Inauguração: Conta-nos o Jornal de Cambra, passados quatro dias da inauguração da Feira dos 16 o seguinte:

«Foi invulgar e imprevisto acontecimento nesta freguesia, a inauguração no dia 16 da nova Feira da Pontinha. O sucesso da sua realização ultrapassou tudo quanto imaginariamente era de esperar, mesmo pelas pessoas mais otimistas.(...) Não obstante o largo espaço que ocupava a nova feira, do alto do Cruzeiro á Regadas e da igreja paroquial á residência de Manuel Fernandes de Almeida, todo terreno foi pouco para conter o grande numero de pessoas que naquele local se reuniram, uns para fazer o seu negócio, outros por simples curiosidade.
Fizeram-se na nova feira boas e numerosas transações, especialmente em gado, tanto bovino como suino, vacum, etc. O mercado de mercearia, ferragens, calçado, chapéus e ourivesaria também esteve muito animado. Fazendas e miudezas talves fossem aquelas que menos se venderam devido ao grande numero de concorrentes (...)
Foi excessiva a frequência nas casas de ''comes e bebes". Estiveram sempre á cunha a casa Prata, onde se apreciavam os saborosos rojões e o delecioso vinho de Paiva, a casa Armindo de Pina, a casa Amarela, de Manuel Gonçalves de Sousa, a casa Emídio Dias de Sousa e a casa David Gonçalves de Sousa e Maria Natália, onde se vendia o famoso vinho Zagaia, da Quinta de Vila Nova, propriedade de Adelino Tavares Russo.
A Banda Junqueirense deu entrada no recinto da feira pelas 12 horas executando, com pleno agrado dos ouvintes, durante a tarde, alguns dos melhores números do seu vasto reportório que foram muito apreciados pelos amadores da boa música.
E, para nada faltar até os carteiristas, cuja actuação, por certo, ninguém previa na nova feira, fizeram um bom S. Miguel...
Espera-se que a próxima feira dos 16 de Fevereiro não seja nada inferior á primeira feira de Janeiro.» [3.]

[...] a feira mensal dos 16, a nova feira de Cepelos, no lugar da Pontinha, que em princípios de 1954, foi inaugurada para dar apoio à parte interior/serrana do concelho e tinha duas secções:

1) no Largo das Presas e na Estrada para Gatão, organizavam-se as tendas de venda de mercearia e outros produtos de Feira / Marcado, da época;
2) no Largo por trás do Posto do Leite, realizava-se a Feira do Gado, muitíssimo concorrida pelos, na sua maioria, pobres lavradores da região, a ver se faziam algum dinheiro com a venda de gado, e pelos negociantes de gado, muito «lestos» e espertos a (se) aproveitar da ocasião.

Atingiu alguma notoriedade durante alguns anos nas transacções de géneros alimentícios e gado bovino. [4.]







Publicidade á feira da Pontinha
FEIRA DA PONTINHA
lugar da Pontinha
Feira de Gado Bovino, Suíno, Ovino, Caprino e Cavalar
mercado de frutas, aves e ovos, panos, fazendas e miudezas, ferragens e utensílios domésticos,
peixe, géneros alimentícios, e todos os produtos agrícolas.

POVO do Concelho de Vale de Cambra e Concelhos circunvizinhos!
No vosso próprio interesse vinde até Cepelos, onde com economia de tempo e de dinheiro, encontrareis tudo o que vos é preciso!
Comprar e Vender, eis a ordem.
Á Pontinha, todos os dias 16![5.]

A feira por volta de meados da década de 80 já não se realizava, realizou-se porém na década de 90 e 00 algumas reedições da feira, sendo estas apenas simbólicas, não tendo a dimensão das de outrora.


Fontes:
[1.] Fotos: Arquivo Municipal de Vale de Cambra
[2.] In: Vale de Cambra, meio século de imagens, Vol.II-Transportes, Indústria e Comércio - Fotografias da Família Sousa, Maria da Graça Gaspar Mendes de Pinho da Cruz
[3.] O Jornal de Cambra, 30-01-1954
[4.] Vale de Cambra, meio século de imagens, Vol.II-Transportes, Indústria e Comércio - Fotografias da Família Sousa, Maria da Graça Gaspar Mendes de Pinho da Cruz, e, Tabelião de Cepelos, etc. saga dos 'Alcouces', Barreiros & Compª Lda.
[5.] Ecos do Povo, nº5

19 abril 2010

Ponte Tricolado


Fotos dos anos 60

Ponte de Pedra em arco sobre o Rio Caima que liga as freguesias de Cepelos a Rôge no Concelho de Vale de Cambra

14 março 2010

Cepelos: um Lugar, duas Fotografias

1950


Lugar de Cepelos ("de Baixo"), Foto da década de 50 (Autor: Manuel Tavares de Sousa)

2010
Lugar de Cepelos (na mesma perspectiva) nos dias de hoje.

A diferença de datas é mais ao menos 60 anos, pelo facto de que a data da primeira é de 1950 a 1959, mas outras diferenças saltam-nos á vista: pelo que me informaram na 1ª foto a energia eléctrica não existia, já na segunda vemos um poste de electricidade. As placas de sinalização mudaram de um cimento rústico para umas modernas chapas. O lugar cresceu, novas estradas surgiram, mas nem por isso, este está mais novo, cada vez há menos jovens e a maioria da população está a envelhecer.

1ª Foto: Arquivo Municipal de Vale de Cambra
2ª Foto: Autor