Natural de Vila Cova de Perrinho, Vale de Cambra nasceu em plena Primeira Guerra Mundial (16.9.1916).
Combateu na Frente Leste, integrado na Divisão Azul da Wehrmacht onde participou na maior operação militar de todos os tempos: a invasão da União Soviética pelas forças Nazis de Hitler.
Estes soldados de Hilter nascidos entre o Minho e o Algarve faziam parte do corpo de tropas que o ditador espanhol Franco enviava para apoiar a guerra de Hitler na imensidão das estepes das florestas russas.
Fez então parte dos 159 voluntários portugueses que combateram, comprovadamente, por Hitler na frente russa, estes homens foram permeáveis ao ambiente político de uma época favorável aos regimes ditatoriais, mas também se alistaram aventureiros e mercenários para tomar parte na "cruzada antibolchevique" apregoada pelos fascismos
Para conhecer melhor a história destes bravos portugueses aconselha-se a consulta do nº 21 da Visão História.
Do Arquivo Fotográfico do Município de Vale de Cambra, extrai-se as seguintes fotografias dos anos 40 (42 a 45). Provavelmente tropa de Aveiro em treinos pelas nossas serras e consequentes demonstrações (?).
"Nas noites de luar, quando o grande balão de oiro surge na lomba das montanhas, o vale enche-se de magia, dum sortilégio que paira desde os píncaros longínquos às águas sussurrantes do Caima. De manhã é o milagre, todos os dias há um milagre de luz sobre a terra quando o sol nasce em Vale de Cambra."
Ferreira de Castro
«Situado num vale amplo, entre as margens esquerda do rio Caima e a direita do rio Antuã, numa zona de transição entre o litoral e o interior, o concelho de Vale de Cambra confina com os municípios de Arouca, Sever do Vouga, Oliveira de Frades, São Pedro do Sul e Oliveira de Azeméis. Apesar de ser essencialmente agrícola, tem vindo a desenvolver uma importante actividade no sector secundário. Nos últimos anos, foram criadas três novas zonas industriais.
A formação de terras de Cambra perde-se na antiguidade dos tempos. Testemunhos arqueológicos encontrados neste território indicam que já seria povoado três mil anos a.C.. Ainda são visíveis, entre outros, os dolménes e castros na freguesia de Arões e as insculturas, ao que tudo indica da Idade do Bronze, no Outeiro dos Riscos. Da cultura castreja, restam achados em Vila Cova de Perrinho, nas Baralhas, Moutides e Castelo de Sandiães. Do período de ocupação Romana, ficaram pontes e alguns troços de estradas.
A povoação é pela primeira vez mencionada na doação feita em 922 pelo rei Ordonho ao bispo de Gomado e ao mosteiro de Crestuma. Mais tarde, fez parte das terras de Santa Maria de Vandoma, pelo que, durante muitos, foi conhecida pelo nome de Santa Maria de Caymbra. Outros documentos referem-se-lhe sucessivamente como Caymbra, Braveira de Cambra e Macieira de Cambra.
No fim do século IX, já o território cambrense se encontrava num bom estado de povoamento. No início, era uma terra rural, com as suas "quintaneas", "agras", "póvoas", "vilares" e "chaves", mas, devido a uma importância crescente, baseada na riqueza do seu solo e no aumento constante da população, foi elevada á categoria de município. Crê-se que teve foral logo no dealbar da nacionalidade.
Naquela altura, numerosos fidalgos possuíam terras e bens neste vale fértil. No século XII, teve início a estirpe dos "de Cambra", uma família da linhagem dos Riba Vizela e que teve como precursor D. Afonso Anes, filho de D. João Fernandes de Riba Vizela e de D. Maria Fernandes Varela. No século XIV, o senhorio da terra de Cambra passou para as mãos dos condes da Feira, os Pereiras, e, mais tarde, para a Casa do Infantado.
Um marco importante na história do município foi a atribuição de carta de foral, em 1514, por D. Manuel I, á terra e concelho de Cambra, com sede em Macieira de Cambra.
Após a sua criação, em 1832, o concelho de Macieira de Cambra foi integrado no distrito de Aveiro, mas seria extinto em 1836, por decreto de Passos Manuel. Em 1840, foi restaurado para ser extinto novamente e anexado ao de Oliveira de Azeméis.
Em 1926, foi definitivamente extinto, aquando da criação do concelho de Vale de Cambra.»
Foral
«O valor deste diploma está em que ele constitui o reconhecimento da importância da Terra de Cambra no conjunto do Reino.
O Pelourinho que está associado a esta Carta de Foral foi classificado como imóvel de interesse público pelo Decreto n.º 23122 de 11 de Outubro de 1933. É ele próprio símbolo de poder municipal e da administração da justiça.
Era donatário destas terras o Infante D. Pedro, futuro Rei D. Pedro III. Outrora, até 1700, era dos Condes da Feira, dos Forjazes e Pereiras.
Macieira de Cambra integrou a província da Beira e pertenceu à comarca de Esgueira.»
Lugares que integravam as Terras de Cambra:
Titollo de Cabruum
Arooes
Campo d'Amçam
Paraduça Ervedoso Lourosella
Chaao do Carvalho
Merlaaes Caviao
Costellaaos Cabril e Areaaes
Coelhosa
Armental
Reffoyos e Gaynde e Aljariz
Codal e Paul
Brasão(brasão no início do texto)
«Brasão: escudo de verde, vaca de ouro passante; bordadura de negro carregada de quatro cachos de uvas de púrpura folhados de ouro, alternados com quatro abelhas do mesmo. Coroa mural de cinco torres de prata. Listel branco, com a legenda a negro, em maiúsculas: "VALE de CAMBRA".
Bandeira: gironada de oito peças de amarelo e negro. Cordão e borlas de ouro e negro. Haste e lança de ouro.
Selo:circular, com as peças do escudo sem a indicação de cores e metais, tudo envolvido por dois círculos concêntricos, onde corre a legenda: "Câmara Municipal de Vale de Cambra".»
Freguesias
Concelho
Habitantes
Área (ha)
Área
146,5 km2
Arões
1952
3978
Perímetro
68 Km
Cepelos
1587
1927
Altitude Máxima
1043 m
Codal
1025
214
Altitude Mínima
75 m
Junqueira
1295
1717
Densidade Pop.
167,1 hab/km2
Macieira de Cambra
4821
1821
Rôge
1901
1652
São Pedro de Castelões
7625
2148
1 cidade;2 vilas;9 freguesias
Vila Chã
4133
689
Vila Cova de Perrinho
459
511
Bibliografia:
História das Freguesias e Concelhos de Portugal - Volume 18