02 abril 2009

Humor do Corpo Expedicionário Português

«O Piolho Soldado»

«O piolho é um amigo
Que na paz ou no perigo
Acompanha o soldado
A morder a gente sente
Que ele morde contente
Para ser alimentado.

Lá no campo de batalha,
Entre a fúria da metralha
O piolho é um achado
Nas costuras da camisa
N'uma linha estabelecida }bis
Do pescoço até ao rabo }bis

Quando há algum combate
}bis
Também assiste ao ataque, }bis
Lá na sua posição
E na lucta corpo a corpo }
O piolho vae ser morto } bis
Ao golpe d'um alemão }

Há piolho francez.
Há piolho inglez,
Há piolho alemão;
Há piolho italiano

Há piolho americano

Eu tenho a convicção.[...]

O piolho assentou praça,
Povoou a sua raça } bis
No corpo dos mobilizados;
E então ele hoje em França
Vae enchendo a sua pança
} bis
Com sangue dos soldados

O piolho lá na frente
Acompanha toda a gente,[...].


É deveras um guerreiro [...]

Quando sente o alemão
Ferra logo o seu ferrão
E põe alerta o seu dono.

Põe alerta a Divisão

Põe alerta o Capitão
E põe alerta o Major;
Põe alerta oficiaes
Põe alerta generaes

E o seu Estado Maior [...]»


(musica cantada no C.E.P (Corpo Expedicionário Português) retratando a omnipresença dos piolhos nos nossos soldados na Flandres)

«O 'Ganga' nas trinchas»

«Meus amigos, esta vida
P'ra quem lida
Com fogo noite e dia
É uma espiga
Quer por cima, quer por baixo
Temos que estar de vigia!

Se a gente desanima
N'uma carga de morteiros,
Então adeus ó vindima
Cahe-nos toda a tralha em cima
De pesados e ligeiros!

Vem um morteiro
E faz 'paz'
Logo a malta olha para o ar!
E depois 'paz'
Dar aos butes para cavar!

Por isso eu digo
Ao meu amigo
Qu'este 'assistema' é muito forte
É preparar para cavar
E assim escapar
Á negra morte![...]

Dá-se um pulo
E 'zaá'
Salta-se logo á trincheira
E depois se faz
O raid d'esta maneira!»


(poema, cantado e declamado na frente pelos soldados do CEP em momentos de maior acalmia e a salvo, infatizando o ataque de morteiros)

«A Granada»

«Ai que cagaço
Que estardalhaço
Quando no espaço
A oiço silvar
Zzz

É a granada
Que estuporada
E em ser esp'rada
Nos faz cavar
Pum!

Ai que se me arreganha...»

(canção na moda entre os entrincheirados, infatizando as granadas)



Fonte
: Das Trincheiras com Saudade, Isabel Pestana Marques


Um comentário:

Alexandra De Almeida disse...

Para estas coisas é como te disse! Tem que ser vistas com calma.

Continua. Gosto especialmente das coisas mais relacionadas com a nossa terra, e quê... Os "relatos da avó"! ;)

Beijinhos